Carro elétrico

Uso amplo do etanol diminui pressão para carro elétrico no Brasil, dizem distribuidoras


RPA News - 29 out 2020 - 07:22

Devido ao uso de biocombustíveis, especialmente o etanol, o Brasil já apresenta uma matriz de combustíveis mais limpa se comparada a muitos países, inclusive desenvolvidos. Este cenário diminui a pressão para a adoção de maneira abrupta dos veículos elétricos.

Este foi o diagnóstico feito por executivos de duas grandes distribuidoras de combustíveis, nesta terça-feira (27), durante o segundo dia da 20ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol. Realizado no formato online, o evento acontece até a próxima sexta-feira, combinando palestras e feira virtual.

“O etanol, considerando o ciclo do campo à roda, tem externalidades ambientais melhores em relação ao carro elétrico”, afirmou o CEO da Raízen, Ricardo Mussa, lembrando, por exemplo, o problema do descarte das baterias dos veículos eletrificados, que contêm elementos tóxicos.

Segundo o executivo, o uso amplo de biocombustíveis no Brasil, como o etanol, fará com que o ciclo de combustíveis líquidos seja estendido no País. Além disso, ressaltou Mussa, o país já tem uma rede distribuição em nível nacional.

“Temos que ter mais orgulho disso. Neste aspecto, temos mais a ensinar do que a aprender. Espero que outros países, que também são potências em cana-de-açúcar, como Índia e Tailândia, encontrem no etanol uma forma de se fazer a transição energética para eletrificação automotiva”, afirma.

Para o presidente do grupo Ipiranga, Marcelo Araújo, os biocombustíveis são a espinha dorsal da matriz energética de transportes no Brasil. “Temos fontes limpas, renováveis, com uma agroindústria forte por trás; temos capacidade produtiva; temos tecnologia em motores e sistemas de distribuição etc.”, enumera.

Assim, de acordo com Araújo, por um longo período, o Brasil terá a coexistência entre diversas tecnologias na matriz de propulsão automotiva e de fontes de energia.