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Setor de petróleo dos EUA busca aliança com agro para combater veículos elétricos


Reuters - 29 jan 2021 - 07:13

A indústria de petróleo dos Estados Unidos está tentando construir uma aliança com os produtores de milho e biocombustíveis do país para trabalhar contra o esforço do governo Joe Biden por veículos elétricos, mas até o momento enfrenta uma recepção fria das partes, indicaram múltiplas fontes familiarizadas com as discussões.

O movimento marca uma tentativa incomum da indústria do petróleo de se aproximar de seus rivais de longa data, refletindo o tamanho da preocupação do setor com as medidas abrangentes do presidente Joe Biden para combater as mudanças climáticas e conter o consumo de combustíveis fósseis.

Embora a indústria petrolífera e os produtores de biocombustíveis sejam concorrentes naturais por espaço nos tanques de combustível do país, ambos compartilham o desejo de garantir um futuro para os motores a combustão.

O esforço também reflete a rápida mudança no panorama político em Washington: a outrora poderosa influência da indústria do petróleo diminuiu desde que Biden substituiu Donald Trump na presidência, mas o cinturão agrícola ainda constituiu um eleitorado vital e poderoso.

O American Fuel and Petrochemical Manufacturers (AFPM), grupo comercial de refino de petróleo, confirmou que esteve em contato com representantes estaduais e nacionais das indústrias de milho e biocombustíveis nas últimas semanas, visando angariar apoio a uma política que reduziria a intensidade de carbono de combustíveis para transporte e bloquearia os esforços para concessão de subsídios federais aos veículos elétricos.

Essa proposta seria uma alternativa à declarada meta de Biden de eletrificar a frota de veículos do país, garantindo um mercado contínuo para combustíveis líquidos, como gasolina e etanol de milho.

O AFPM se reuniu em meados de janeiro com alguns lobistas das indústrias de milho e biocombustíveis e algumas refinarias que fazem parte do grupo esperam sediar uma nova reunião em fevereiro, para discutir o futuro dos combustíveis líquidos. “Toda essa ideia levaria muito tempo para ser consolidada, mas fizemos alguns progressos”, disse o vice-presidente sênior do AFPM, Derrick Morgan.

O chefe da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), Geoff Cooper, um importante grupo comercial da indústria de biocombustíveis, confirmou que os representantes da RFA foram convidados a participar da reunião de fevereiro, mas disse que sua organização ainda não decidiu se marcará presença.

“Não nascemos ontem e não vamos deixar a indústria do petróleo nos enganar”, disse ele. “Eles têm uma longa história de empurrar uma aproximação nos microfones para fazer o trabalho sujo, e não estamos interessados nisso”.

A Associação Nacional dos Produtores de Milho (NCGA, na sigla em inglês) também está avaliando se deve enviar uma equipe para a reunião de fevereiro, segundo duas fontes familiarizadas com o assunto.

Mas o CEO da NCGA, Jon Doggett, disse à Reuters que nenhum encontro do gênero foi marcado, distanciando seu grupo da ideia de uma aliança entre petróleo e milho. “Não tenho nada a ver com os grupos de refino. Nós não conversamos”, afirmou.

Fontes disseram que as indústrias de biocombustíveis e milho estão relutantes em unir forças ao setor petrolífero no assunto – não apenas por causa de sua longa rivalidade com as refinarias, mas também porque não desejam se opor publicamente às políticas para energia do novo presidente.

Jarrett Renshaw e Stephanie Kelly

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