Preço das baterias seguem em queda e projetos ficam cada vez mais grandiosos

Uso de baterias em grande escala contribui e estimula custos cada vez menores para as baterias utilizadas nos carros

As obras da maior bateria do mundo, ocupando a área de um campo de futebol no meio do deserto australiano, foram concluídas na última sexta-feira. Com isso, o bilionário californiano Elon Musk, dono da Tesla, calou os céticos e venceu uma aposta: a de que seria capaz de realizar o ambicioso projeto num prazo de cem dias. O recorde, porém, talvez só sobreviva até fevereiro do ano que vem.

Isso porque a sul-coreana Hyunday Electric & Energy Systems está construindo uma bateria de íon-lítio de 150 megawatts, 50% maior que a de Musk, em Ulsan, na costa sudeste do país asiático. Segundo informações da empresa, ela deve entrar em operação dento de três meses.

Com o preço das baterias caindo quase pela metade desde 2014, projetos de grande escala começaram a pipocar pelo mundo. Segundo o Bloomberg New Energy Finance, novos projetos de baterias de íon-lítio anunciados em 2017 somam juntos uma capacidade de 1.650 MW/h, quatro vezes mais que a capacidade total de empreendimentos semelhantes lançados em 2016.

“Musk estabeleceu um novo marco no tempo de instalação e ativação de uma bateria desse porte”, afirmou Ali Asghar, associado do BNEF, em entrevista. Com custos cada vez menores, elas “estão se tornando uma opção atraente para grandes projetos de armazenamento de energia em várias regiões do mundo, e agora temos projetos ainda maiores que o da Tesla em andamento”.

Embora seja mais conhecida como fabricante de carros elétricos, a Tesla, com sede em Palo Alto, na Califórnia, vende baterias de íon-lítio para empresas de energia elétrica que querem integrar fontes renováveis de geração de energia (principalmente solar e eólica) a suas redes de distribuição, a um custo competitivo.

Musk topou trabalhar com a Austrália do Sul, província do interior da Austrália cuja matriz energética é a mais limpa do país. A bateria instalada no deserto consegue armazenar 100 MW, valor que praticamente corresponde ao déficit de energia causador de um apagão em fevereiro.

Uso de baterias em grande escala contribui e estimula custos cada vez menores para as baterias utilizadas nos carros

Conquistando admiradores

A rapidez com que o projeto foi entregue, antes mesmo do prazo estipulado (início do verão), fez o empresário angariar fãs entre a classe política local. O premiê da Austrália do Sul, Jay Weatherill, que colocou uma foto da bateria gigante no seu perfil do Twitter, aproveitou a fama de Musk para lançar uma campanha para que seu estado se torne líder mundial em energia renovável.

A bateria começou a transmitir energia para a rede nacional na sexta-feira, e com isso Musk ganhou uma aposta feita pelo Twitter, de que seria capaz de implementar o sistema num prazo de 100 dias — se não conseguisse, ele próprio teria de arcar com a conta. Ele também cumpriu a meta fixada pelo governo estadual de instalar a bateria até o início do verão, 1º de dezembro, segundo o premiê Weatherhill.

A indústria de baterias de armazenamento vem ganhando cada vez mais importância em lugares como a Austrália do Sul, que tem menos acesso a recursos tradicionais de origem fóssil (carvão e gás) que o restante do país. 41% da eletricidade local vem de fontes renováveis, o que faz desta uma das regiões com maior penetração de energia solar e eólica no mundo.

Para compensar pela descontinuidade na geração (ar parado, tempo nublado e período noturno), o estado sempre recorreu a plantas de gás natural, ativadas para complementar a demanda. Agora, com o custo das baterias despencando, é possível implementar projetos num prazo de três meses para superar esse problema.

A AES Corporation e a AltaGas, duas empresas de energia renovável de grande porte, já deram os primeiros passos para ingressar nesse mercado. Outras, como a NextEra Energy e a E.ON, devem começar em breve a construir blocos de bateria a um custo competitivo, diz Sam Jaffe, analista da Cairn Energy Research Advisors, que tem sede em Boulder, Colorado.

Se o pioneirismo da Tesla representou uma vitória para Musk, os rivais já estão capacitados a implementar baterias em prazos igualmente exíguos, em especial com o aumento da concorrência no mercado, diz o analista Saul Kavonic, da consultoria australiana Wood Mackenzie. Segundo ele, o prazo de instalação dará lugar com o tempo a uma maior concorrência no quesito custo.

“Não deve ser o tempo de implementação o que definirá o diferencial tecnológico competitivo num mercado bem-estruturado, mas sim o custo e a flexibilidade das baterias, que serão aprimorados com o tempo”, afirma Kavonic.

[Vídeo] Energia: o futuro da eletricidade

Bloomberg

Tradução e adaptação novaCana.com

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