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Carro elétrico

Popularidade de carro híbrido no Brasil depende de reforma, diz Toyota


Bloomberg - 10 jul 2019 - 08:31 - Última atualização em: 11 jul 2019 - 15:59

Um recente incentivo fiscal no Brasil pode ajudar a impulsionar as vendas de um novo carro híbrido desenvolvido pela Toyota, que pode ser movido por eletricidade, etanol ou gasolina.

O corte de impostos a taxistas pode reduzir o preço final dos veículos em até 3%, mas seriam necessárias reformas econômicas antes que os híbridos, menos poluentes, possam cair no gosto dos motoristas brasileiros, disse Ricardo Bastos, diretor de relações governamentais locais da Toyota. Existem apenas 11.000 carros elétricos no país atualmente.

O novo Toyota Corolla, previsto para ser vendido comercialmente em outubro, é o primeiro veículo que poderá ser movido a eletricidade, gasolina ou etanol. O objetivo é um mercado brasileiro que vende cerca de 2 milhões de carros por ano e é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, o ingrediente básico do etanol.

“O Brasil tem potencial para ser um hub para carros elétricos na América Latina. Mas sem as reformas, especialmente a reforma tributária, o alcance ainda será limitado”, disse Bastos.

A isenção de IOF e IPI para carros híbridos adotada no Brasil no mês passado é importante e se soma a incentivos que têm sido dados desde 2012 para estimular a produção de veículos menos poluentes.

A Toyota escolheu o Brasil, um país com longa tradição em carros flex, para produzir uma versão híbrida de seu modelo clássico Corolla. Agora, cerca de 95% dos carros vendidos no Brasil são movidos a etanol ou a gasolina, segundo a Fenabrave, federação de distribuidores do setor. Incluindo caminhões antigos e outros veículos, 67% da frota de 44 milhões do Brasil em 2018 eram flex, segundo a associação Sindipecas.

Os motoristas no Brasil têm usado amplamente o etanol da cana-de-açúcar em veículos desde a década de 1970. “O objetivo é fazer um carro com emissão zero de carbono, essa é a corrida do setor”, disse Bastos. “Com o etanol, estamos mais próximos, se você considerar todo o ciclo, do poço à roda”.

No passado, os híbridos não eram competitivos em preço no Brasil. Olhando à frente, Bastos acredita que o quadro pode mudar. “Em um cenário otimista, a indústria espera que os híbridos atinjam 10% da frota em 2025”, disse Bastos.

A Toyota não divulgou o preço do seu híbrido Corolla, mas Bastos disse que ele não será mais barato do que a versão tradicional do Corolla no Brasil, que custa R$ 116 mil.

Sabrina Valle