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Carro elétrico

América do Sul resiste a campanha global por veículos elétricos, dizem montadoras

De acordo com executivos, subsídios a combustíveis como etanol e gás natural dificultam introdução dos híbridos no mercado local


Reuters - 27 mar 2019 - 15:40 - Última atualização em: 28 mar 2019 - 08:46

Executivos da Toyota e da GM conversaram esta semana sobre fontes tradicionais de combustível, como etanol, gás natural e diesel, destacando como o mercado de automóveis da América do Sul provavelmente resistirá ao movimento global para veículos elétricos nos próximos anos.

Mesmo que as montadoras reformulem seus negócios globais para focar em carros elétricos na Europa, América do Norte e Ásia, os executivos que coordenam a produção no Brasil e na Argentina priorizam os motores de combustão em parte devido aos subsídios concedidos a esses combustíveis.

“O futuro da energia da Argentina é o gás natural”, disse Cristiano Ratazzi, que lidera a unidade do país da Fiat Chrysler, bem como o grupo comercial de montadoras da Argentina, Abefa. Ele acrescentou que o combustível diesel, visto com maus olhos em grande parte do mundo, também tem potencial para isso.

A produção de gás natural na Argentina deve aumentar fortemente à medida que as petrolíferas estrangeiras e a estatal YPF investem bilhões na Vaca Muerta, uma das maiores reservas de gás de xisto do mundo.

Já Aurelio Santana, diretor-executivo da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), mostra otimismo com o etanol.

“É muito importante que o governo apoie investimentos em pesquisa e desenvolvimento envolvendo o etanol”, disse Santana. “Precisamos manter o que já temos aqui”, afirmou, destacando a vantagem energética do etanol do Brasil.

A resistência aos veículos elétricos ressalta a influência política dos produtores locais de cana-de-açúcar no Brasil e de gás natural na Argentina. Recentemente, o Congresso brasileiro aprovou o Rota 2030, que oferece benefícios significativos para montadoras que optam por investir em pesquisa de etanol.


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Montadoras se encontraram esta semana num evento do setor em São Bernardo do Campo, sede histórica do setor automobilístico brasileiro, que ainda está se recuperando do choque no início do ano, após a Ford anunciar que vai fechar sua fábrica na região.

Até agora, a Toyota é a única montadora a anunciar que planeja fabricar um modelo híbrido na América do Sul, com um motor que funciona com eletricidade, etanol ou gasolina.

“É a melhor solução para a nossa região”, disse Celso Simomura, vice-presidente de Operações da Toyota no Brasil.

A General Motors anunciou no início do mês um investimento de R$ 10 bilhões no Brasil durante os próximos cinco anos, mas nada disso vai para os carros elétricos, disse Carlos Zarlenga, chefe da GM na América do Sul.

A GM começará a importar veículos elétricos este ano para testar o mercado, acrescentou ele, mas ainda não há planos para montá-los internamente.

Principal executivo da Volkswagen para a América do Sul e Caribe, Pablo Di Si, disse que a montadora vai importar seis modelos elétricos ou híbridos para o Brasil até 2023. Mas ele também disse que não há planos de produzi-los localmente.

“Na América Latina, precisamos considerar todas as ressalvas”, disse Di Si, apontando a falta de uma estrutura legal para veículos elétricos e falta de infraestrutura de recarga, mesmo que a Volkswagen queira vender 1 milhão de veículos elétricos globalmente até 2025.

Ratazzi, da Fiat, acredita que as velhas formas de combustão sobreviverão na América do Sul no médio prazo. “Em 2030”, previu ele, “o motor a combustão ainda terá um lugar”.