Cogeração de energia

São Paulo fecha acordo com usinas para aumentar uso de cana na matriz energética

Serão produzidos 237MW de energia a partir da biomassa da cana-de-açúcar. Medida amplia a geração de energia limpa na matriz energética


Secretaria de Energia de SP - 27 ago 2015 - 10:15
Secretaria de Energia lança o programa SP na Rede Elétrica

O governo de São Paulo apresentou nesta quarta, dia 26, um novo projeto para aumentar o uso de cana-de-açúcar na matriz energética. O programa vai estimular a produção de bioeletricidade nas usinas no interior paulista. O anúncio foi feito durante a 23ª edição da Fenasucro, que ocorre nesta semana, no interior paulista.

O programa "São Paulo na Rede Elétrica", que tem como objetivo ampliar o fornecimento de energia para a rede elétrica produzida a partir da queima da palha e do bagaço da cana-de-açúcar e outros insumos como cavaco de madeira.

Para isso, a Secretaria de Energia realizou um estudo mapeando as usinas existentes e identificando a sua produção, consumo e exportação de energia excedente para a rede elétrica.

Foram analisadas 166 usinas, que assinaram o Protocolo Agroambiental, sendo que 34 delas estão localizadas na região nordeste do Estado, a uma distância de 100 km do município de Morro Agudo.

Destas 34 usinas, 10 foram selecionadas para um projeto piloto em conjunto com a CPFL, concessionária de energia da região, para ampliarem a produção de energia existente. 

"Considerando o excedente de energia que essas 10 usinas conseguem produzir na região de Morro Agudo, conseguiríamos aumentar o fornecimento para a rede em 237MW, o que significa o consumo anual de uma cidade como Ribeirão Preto, que possuiu 600 mil habitante", explica o secretário de Energia, João Carlos de Souza Meirelles.

Além da concentração de usinas, a região foi escolhida porque está recebendo, em Morro Agudo, uma nova subestação de 500/138 kV operada pela CPFL, reforços nas linhas de transmissão local e conexões que permitirão o escoamento da energia elétrica excedente das usinas de biomassa da região.

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Substituir diesel por biometano

Após o anúncio do novo programa, o secretário também assinou um protocolo de intenções para estimular a produção do gás biometano. O objetivo é substituir o uso do diesel nas usinas por fontes de energia menos poluentes.

O projeto, uma parceria do governo estadual com empresas privadas, utiliza a vinhaça na produção de biometano. Segundo os participantes, o gás mantém o mesmo nível de eficiência que os combustíveis tradicionais, mas com custo de produção 50% menor na comparação com o diesel.

O protocolo de intenções foi assinado entre as empresas Gás Brasiliano (distribuidora), Malosso Bioenergia S/A (fornecedora da vinhaça) e Consórcio CSO (tecnologia de biodigestão de vinhaça) para realizar a distribuição de biometano proveniente da vinhaça aos municípios de Itápolis e Catanduva.

O projeto terá investimento de R$ 16 milhões e produzirá 25 milhões de m³ de biometano num período de 5 anos. A estimativa é que a produção comece no segundo trimestre de 2016.

“Nós usamos a vinhaça porque em termos de potencial de produção de biometano em volume, é o maior volume de potencial de biometano que você tem no planeta. Nós não temos nenhum tipo de afluente que tenha a mesma carga de "DQO" que a vinhaça, e como esse produto hoje é usado na fertirrigação, essa parte do carbono ela não é aproveitada e você tem esse potencial todo na vinhaça sendo desperdiçado”, explica Carlos Alberto Xavier, da Bioenergia Consulting.

A fonte de energia também poluí menos. O metro cúbico do gás biometano emite 2,6 quilos a menos de gás carbônico do que o litro do diesel. Por enquanto, o projeto é voltado apenas para as usinas, mas no futuro pode chegar ao consumidor

“Nós temos uma série de unidades já prospectadas, temos três usinas em fase de conclusão de contrato. A primeira unidade deve ser construída agora nesse segundo semestre, para entrar em operação na safra de 2017, abril de 2017”, concluiu Xavier.

A iniciativa está alinhada ao Programa Paulista de Biogás do Estado de São Paulo (Decreto nº 58.659, de 04/12/2012), que prevê a obrigatoriedade de injeção de um percentual mínimo de biometano no gás natural comercializado no Estado de São Paulo e cuja ênfase é o biogás produzido a partir de vinhaça.

Com informações adicionais do Canal Rural


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