PUBLICIDADE
ARMAC
Mercado

Preço da energia sobe e movimenta mercado de cogeração


Valor Econômico - 28 abr 2014 - 08:45 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

O potencial de produção de energia elétrica a partir da biomassa da cana-de-açúcar no Brasil está ainda distante do volume ofertado pelas usinas às distribuidoras. Com tarifas pouco atraentes, a maioria das usinas se limita a produzir energia para atender às próprias necessidades. Mas diante da expansão da demanda, por causa da escassez de energia, esse cenário começa a mudar, apesar da política do governo "ultrapassada e inadequada", conforme definição do consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cieb). "Não tem sentido equiparar a energia produzida por meio do vento em localidades distantes das regiões de consumo à energia obtida da biomassa de cana, oferecida pelas usinas instaladas em sua maioria no Sudeste do país. Tampouco pode ser comparada à produzida pelas hidrelétricas."

Mas a escassez de energia hidrelétrica, ocasionada pela estiagem que reduziu os níveis dos reservatórios das hidrelétricas, mudou o cenário do mercado. Por enquanto, essa transformação ocorreu no mercado livre, onde os preços negociados sobem a uma velocidade sem precedentes. Dos R$ 23,40 oferecidos em janeiro de 2012 pelo megawatt/hora, o valor em dezembro de 2013 passou a R$ 290,72 e em fevereiro chegou a R$ 822,83, segundo levantamento realizado pela consultoria Safira Energia. Esse valor, segundo especialistas, é conjuntural e reflete a escassez do insumo no mercado.

A demanda aquecida levou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a elevar o teto a ser negociado no leilão marcado para o próximo dia 30. Dos R$ 175,00 fixados em 2013, passou a R$ 271, valor considerado competitivo, embora esteja próximo do que a maioria das usinas calcula como custo de geração da energia obtida por meio da queima da palha e do bagaço da cana. Embora ainda distante dos valores negociados no mercado spot, o preço oferecido pela Aneel já desperta interesse de algumas empresas do setor.

A presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, explica que os ganhos alcançados no mercado livre representam uma vantagem no curto prazo, diferentemente do oferecido pelos leilões oficiais, que asseguram receita por prazo mínimo de cinco anos e ainda garantia firme para ser oferecida em troca de empréstimos a serem levantados no sistema financeiro.

Por enquanto, dirigentes da Raízen não se animaram a participar do próximo leilão da Aneel. Segundo o vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia, Pedro Mizutani, a distância entre o teto fixado pelo insumo e os valores negociados no mercado livre torna o pregão oficial pouco atraente. "Estamos avaliando, mas acredito que dificilmente iremos participar do próximo leilão."

A empresa processa 66 milhões de toneladas de cana por safra. Os resíduos de palha resultantes do corte desse volume gigantesco são parcialmente enfardados para ser levados às usinas termoelétricas. O restante é conduzido às unidades produtoras misturado à cana e separado no momento da moagem, explica Mizutani. Segundo informa, a comercialização dos excedentes de energia gerados nas usinas representa importante fonte de receita para a empresa.

A Raízen ocupa posição de destaque como a maior produtora de energia elétrica a partir da biomassa da cana-de-açúcar. De um total de 24 unidades produtoras com capacidade instalada de 940 MW, 13 contam com termoelétricas em condições de gerar excedentes para a venda para o sistema integrado nacional. Segundo a empresa, esse potencial permite a comercialização anual de energia de aproximadamente 1,8 milhão de MWh, o suficiente para suprir uma cidade de cinco milhões de habitantes. Essa capacidade de geração está sendo ampliada em Caarapó (MS), onde a Raízen possui uma usina.

Apesar dos inúmeros atributos da bioenergia a partir do bagaço e da palha da cana, apenas as grandes usinas - cerca de 40% do total - têm capacidade de obter ganhos extras com a venda de energia elétrica excedente às distribuidoras. A falta de estímulos levou a maioria das empresas a limitar seus investimentos à produção do insumo apenas para atender as necessidades. "É uma pena", diz a presidente da Unica. Desde que o setor passou a investir fortemente na mecanização do corte da cana, para substituir a queima das lavouras e, assim, atender às exigências ambientais, sobra palha no campo.

Mas isso também pode mudar no decorrer da safra 2014/15, que só se está iniciando. Com a explosão dos preços da energia no mercado livre algumas usinas planejam, não só recolher parcela ainda maior da palha deixada no campo pelas colhedoras de cana, como adquirir dos vizinhos, sejam plantadores de cana independentes ou usinas, cuja capacidade de produção de energia não proporciona excedentes para ser negociados com as distribuidoras. Mas há outros empecilhos. Se a usina está distante dos linhões, a venda da energia pode se tornar inviável, dizem os especialistas.

Isabel Dias de Aguiar


PUBLICIDADE BASF GIGA INTERNAS BASF GIGA INTERNAS

Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail

PUBLICIDADE
STOLLER
x