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Bioeletricidade pode voltar, mesmo sem medida


Agência Udop de Notícias - 08 mai 2013 - 18:50 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

As medidas anunciadas recentemente, para recuperar e alavancar investimentos no setor sucroenergético, pareceram significar muito barulho, para pouco resultado em relação ao etanol e nenhuma medida para a bioeletricidade. No curto prazo, as medidas são favoráveis, inclusive por uma maior remuneração da produção, mas muito melhor para uma parcela do setor com acesso ao crédito.

Em um recente evento, ocorrido em São Paulo, presente um representante do governo, me pareceu que de uma forma muito dissimulada, deu a entender que a gasolina teria um novo reajuste de preço neste ano. Essa é uma informação que não pode ser anunciada previamente, e que dificulta o entendimento das medidas de socorro para o setor, mas se verdadeira pode solucionar o curto prazo.

Ficou faltando sinalizar um mecanismo de confiabilidade para o longo prazo, ensejando o aparecimento de novos investidores e novos investimentos.

Faltou humildade ao governo, em reconhecer, que a decisão de acabar com a CIDE e manter os preços da gasolina congelados artificialmente, apesar da boa intenção, foi a grande responsável por todas distorções ocorridas no mercado dos combustíveis líquidos no Brasil, com sérias consequências negativas na balança comercial e nos resultados do setor e da Petrobras.

Agora, a CIDE não precisaria voltar abruptamente, desde que esse novo aumento do preço da gasolina fosse praticado e poderia ser uma regra com gatilhos preestabelecidos, que funcionassem a medida que as margens de rentabilidade da produção de etanol fossem se estreitando, como uma estratégia clara de sinalizar a viabilidade dos investimentos no longo prazo, e uma forma de refazer o orçamento fiscal, compensando a isenção do PIS/Cofins.

Mas, se efetivamente, essa volta da CIDE estiver totalmente descartada, aí caberia ao setor negociar uma medida própria a ser implementada , se possível com autorização negociada junto ao governo.

Seria a de assumir que os preços do etanol anidro e do etanol hidratado, não precisam necessariamente estar correlacionados e praticar uma política de preços do etanol anidrototalmente descolados do hidratado, fazendo com que esses preços funcionassem como uma CIDE.

Como a demanda da gasolina A, é conhecida, portanto a demanda de 25% de etanol anidrotambém pode ser conhecida, e voltando ao passado, seria estabelecido as cotas de distribuição , com base na produção das usinas, para não desequilibrar a oferta e provocar a baixa do preço desse produto.

O preço do anidro seria aumentado até impactar o aumento do preço da gasolina C e esse preço seria corrigido, sempre que a margem do hidrato necessitar de correção.

Uau, vou plagiar o professor Rogério, mas seria bem mais fácil e honesto voltar com a Cide, não é mesmo ?

Esses comentários são reminiscências de tantos anos de militância no setor, e cujo foco, tem gente muito competente e capaz para sugerir soluções, mas o que mais me chamou a atenção foi a total ausência da bioeletricidade nas medidas do governo para viabilizar investimentos no setor.

Esse fato poderia ser interpretado como se a bioeletricidade, tivesse perdido sua importância para o setor sucroenergético e elétrico do país, porém, o nosso sentimento, é que não é nada disso, muito pelo contrário, acho que a bioeletricidade, começa realmente a ser entendido como opção de fundamenta importância para o futuro do abastecimento elétrico do país e que pode ter faltado uma proposta consistente que pudesse ter sido discutida e aprovada.

Em função da seca ocorrida, no último ano, ocorreu o reconhecimento, pela primeira vez depois da última crise, que o nosso atual modelo do setor elétrico não oferece risco 0 (zero), e faz a bioeletricidade recuperar a sua importância, com a possibilidade de dotar o modelo da capacidade de economia de água nos reservatórios das hidrelétricas, de complementaridade para as usinas a fio d´água, e cumprindo esses objetivos como energia renovável, limpa e mais barata, que outras térmicas de outras fontes e com menor tempo de implantação.

Certamente, uma proposta para viabilizar os investimentos em bioeletricidade, nos leilões deenergia nova, estão sendo debatidos, pois temos constatado isso em declarações dos responsáveis pelo setor elétrico e nos noticiários da imprensa especializada.

Aliás, o cenário onde predominava a energia eólica com base na modicidade tarifária nos leilões de energia nova no setor elétrico, já está diferente, com a tomada de medidas, como leilões separados por fonte, com medidas exigindo conexões prontas para as eólicas, percebendo-se um esforço para elevar os custos dessa geração da energia eólica, e com isso na próxima reunião da CNE- Conselho Nacional de Energia, atribuir maior competitividade para as outras e possibilitar a diversificação das fontes.

É nesse ponto que nos parece estar faltando uma proposta setorial, para compor com o governo, na busca desse objetivo, pois o simples pleito de leilões em separado por fontes, pode subdividir demasiadamente as fatias para cada uma.

Seria importante, nessa proposta a mudança do entendimento para que a prioridade da modicidade tarifária deve ser no relógio do consumidor, que no modelo do setor elétrico deve ser incluído a valoração da economia de água nos reservatórios, além da complementariedade de energia no período seco , das externalidades positivas de sustentabilidade ambiental e social e ainda um mecanismo de cálculo do ICB-índice de custo benefício com regras, que permitissem acabar com o desperdício energético dessa matéria prima biomassa, no nosso país.

Mas, mesmo assim , acho que só depende das usinas que devem se preparar para gerar a nossa bioeletricidade, pois algumas que estão entrando este ano, aproveitam os atuais altos preços do mercado de curto prazo.

Onório Kitayama
Diretor da Nascon Agroenergia


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