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Bioeletricidade: a oportunidade surgiu


Agência Udop de Notícias - 04 jul 2013 - 09:26

Afirmei no artigo anterior, que a bioeletricidade mesmo não tendo sido contemplada na pauta de negociações das medidas de recuperação do setor, estava para voltar como uma energia importante para a nossa matriz elétrica.

A base para isto acontecer estava suportada nos baixos níveis dos reservatórios, atingindo 42%, as vésperas do período seco e junto com a medida anunciada pela nossa Presidenta de redução das tarifas, o que provocaria um aumento da demanda de energia elétrica.

Esse cenário mostrava que a ideia do novo modelo do setor elétrico baseado no hidrotérmico, não significava ser de risco zero, e a necessidade de recuperar uma fonte energética de rápida implementação, próxima do centro de carga e complementar a hidroeletricidade era fundamental para dar segurança ao sistema. Mais do que isso, aperfeiçoar o modelo introduzindo mais um mecanismo de segurança ao sistema, a possibilidade de economia de água dos nossos reservatórios.

Paralelamente, havia notícias na imprensa, das autoridades do setor, mostrando preocupações em procurar mecanismos para equilibrar a competitividade entre as fontes, principalmente em relação a fonte eólica.

Buscavam uma solução, diferente das sugestões apresentadas de leilões regionais, por fontes ou mudar a avaliação do critério da modicidade tarifária, dos leilões para o relógio do consumidor e com mais exigências para as eólicas que onerassem os seus custos.

Mas, eis que de repente, surpreendendo a todos, "São Pedro" resolveu abrir as torneiras fora do período, e com tal intensidade que os niveis dos reservatórios começaram a subir.

Comecei a temer pela minha afirmação, afinal recuperavam-se os níveis dos reservatórios, surgiram notícias que falavam em afirmações a favor das térmicas a carvão e a bioeletricidade do bagaço estaria voltando ao "status" de desprezo, dos últimos anos.

Sinceramente, tendo lutado para disseminar o uso dessa fonte energética, conhecendo as autoridades que nos apoiaram desde o primeiro momento, ficava difícil entender o que estava acontecendo.

A UDOP pediu-me um artigo, comecei a pensar num tema interessante, porém não conseguia definir o que teria para dizer, confirmando a premissa anterior ou tendo de afirmar: choveu e acabou tudo, voltamos a estaca zero.

Na última semana, durante o Ethanol Summit, havia um painel sobre bioeletricidade e nele estava participando um importante personagem, capaz de dirimir essa dúvida, e ele fez isso, inclusive justificando o motivo que a bioeletricidade havia perdido a importância que a ela se atribuía no seu início.

Apesar disso, ficou claro que a bioeletricidade pode voltar, para isto a fonte eólica foi colocada só no leilão A-3, e para o leilão A-5 ficaram as demais, principalmente as fontes térmicas e dentre elas a bioeletricidade do bagaço.

O cenário ficou muito claro. Aconteceram fatos, no passado recente, que provocaram uma decepção e mágoa nos responsáveis pelas decisões do futuro desenvolvimento da matriz elétrica brasileira. Confiaram nas declarações de capacidade de geração das geradoras (usinas), estas venderam e não entregaram. É preciso, não só levar as justificativas do ocorrido, mas é fundamental convencê-los que o fato não é resultado de uma ação deliberada de tapeá-los, mas consequência de alguns imprevistos ocorridos que transcendem a vontade dos geradores e cuja responsabilidade não foi só do setor.

É de fundamental importância reverter essa imagem negativa, inclusive se for o caso, levando propostas que dessem mais segurança, para que o ocorrido não volte a ocorrer.

Nesse novo formato, vamos competir com térmicas a carvão, e a dúvida que surge é se estamos preparados para competir. Soube que há três térmicas a carvão já preparadas com 1.500 MW de capacidade, prontas para o leilão.

O setor estaria preparado para competir?

Ouvimos que teríamos 15 projetos de um importante "player" do setor, e o nosso Secretário de Energia de São Paulo, pediu uma prorrogação de prazo de habilitação, para levar ao leilão 1.000 MW de potência.

Só nos resta torcer para que aconteça, mas se não acontecer acho que deve ser uma lição para pelo menos termos um estudo para essa geração, pois podemos perder a oportunidade quando ela surgir.

Onório Kitayama
Diretor da Nascon Agroenergia


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