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Bioeletricidade: falta de estímulo ou de integração?


Onório Kitayama - 05 ago 2013 - 08:52

Para o próximo leilão A-5 de energia nova, foi anunciado um preço teto de R$ 140,00 por MWh. Para esse preço teto, provavelmente teremos, dependendo da quantidade, e já prevendo poucos projetos, um preço de realização por volta de R$ 120,00 por MWh.

Qual o significado desses preços para o setor? Analisemos esses preços sob os mais variados pontos de vista, para tentar chegar a uma conclusão.

Se compararmos esses preços, em relação aos preços atualizados das vendas dos primeiros leilões, esses valores são muito baixos.

Mas, esses preços baixos teriam que ser analisados pelas mudanças ocorridas nesses últimos anos, ou seja, aconteceram avanços tecnológicos significativos que reduziram os custos de geração, as isenções fiscais para os equipamentos e a redução dos custos do financiamento, permitiram toda essa redução dos custos?

Se considerarmos o atual cenário vivido pelo setor sucroenergético, esses valores são decepcionantes pois não servem de estímulo sequer para tomar o risco do empreendimento, mas por contemplar uma correção automática dos preços, não seria atrativo para ir melhorando a contribuição do fluxo de caixa das usinas?

Teríamos projetos "greenfields" mais competitivos, ou projetos com necessidade de mudança de caldeiras sucateadas para estar participando desses leilões?

Hoje, existem alternativas de térmicas competitivas, de outras fontes limitando esses valores como preços tetos? Sem a competição dos projetos eólicos, dizem que as térmicas a carvão poderiam competir nesses níveis de preços, pois teriam uma geração anual, um carvão próximo da térmica e com custos baixos, apesar de poluentes.

Se essa alternativa for comprovada no leilão, podemos deduzir que as questões de externalidades positivas nada significam para a composição da matriz elétrica brasileira e continuam praticando como prioridade a modicidade tarifária nos preços praticados nos leilões e não no relógio do consumidor.

Pela analise dos pontos já mencionados acima podemos concluir que continuamos sem estímulo para aproveitamento desse enorme potencial e não há por parte dos responsáveis qualquer conhecimento da necessidade de integrar os produtos do setor, para viabilizar o seu importante desenvolvimento.

Ora, mas dizem que o setor apresentará projetos para competir no leilão e isto será verdade? Sim, é verdade pois podemos ter projetos já preparados e implantados que não conseguiram entrar nos leilões anteriores, existem usinas que analisam os investimentos separadamente entre os produtos, na sua capacidade de produção e podem existir projetos de aproveitamento do potencial já existentes que podem ser viabilizados com esses valores.

Dentro desse cenário, se verdadeiro, o futuro do aproveitamento da biomassa do setor, vai depender dos ganhos de eficiência com geração anual e desenvolvimento tecnológico, na secagem do bagaço, no aproveitamento da palha, reduzindo os custos de geração, que precisam ser desenvolvidos pelas usinas pioneiras que venderam suas energias por preços muito remuneradores.

Onório Kitayama
Diretor da Nascon Agroenergia


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