Cana: Variedades

UFPR e Ridesa lançam quatro novas variedades de cana-de-açúcar em 2021

Além das opções criadas na UFPR, a Ridesa pretende liberar para cultivo, ainda no primeiro semestre, outras 17 variedades


UFPR - 25 mar 2021 - 07:50
Brotação da RB056380, que possui elevado teor de sacarose

Atuante desde 1992, o programa de melhoramento genético da cana-de-açúcar da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vinculado ao Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade, já desenvolveu dez variedades de cana-de-açúcar. Em 2021, deve liberar outras quatro.

A UFPR faz parte de um convênio de cooperação técnica entre dez universidades federais, a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento Sucroenergético (Ridesa). Atualmente, a Rede é o principal núcleo de pesquisa canavieira no âmbito do governo federal, desenvolvendo as cultivares denominadas República do Brasil (RB).

Entre as vantagens das novas variedades estão o elevado teor de sacarose, os diferentes ciclos de colheita e as adaptações a vários tipos de solos e ambientes. O coordenador do Programa na UFPR, professor Ricardo Augusto de Oliveira, explica as características de cada uma delas.

“Destaco o elevado teor de sacarose da RB056380 e da RB056351, sendo recomendas para cultivo em ambientes de alta a média fertilidade. Ambas possuem ciclo precoce, isto é, podem ser colhidas no início de safra”, afirma e completa: “A RB006970 também tem alto teor de sacarose e apresenta um período de colheita maior, podendo ser colhida do início ao meio de safra. Ela é recomenda para cultivo em ambientes de alta a média fertilidade, com melhores resultados quando cultivada em solos com boa retenção de umidade”.

Por fim, a variedade RB036152 é a que tem melhores resultados em solos de média a baixa fertilidade. “Ao longo dos cortes, ela apresenta elevados rendimentos agrícolas e possui teor de sacarose de médio a alto”, explica o professor.

Só no estado do Paraná, a área com cultivares RB chegou a 76% na safra 2020. Quando a Ridesa nasceu em 1991, de toda a área com cana-de-açúcar do país, apenas 5% era cultivada com variedades da sigla RB.

Depois de 30 anos de pesquisa, o território que apresenta esses cultivares representa 60% se levada em conta a safra 2020. Isso significa uma contribuição de mais de 12% na matriz energética do Brasil.

As variedades mais cultivadas no país são a RB867515, desenvolvida na Universidade Federal de Viçosa, seguida pela RB966928, desenvolvida na UFPR. Essa última, liberada em 2010, está presente em 14% da área nacional cultivada com cana-de-açúcar.

Além das quatro variedades criadas na UFPR, a Ridesa pretende liberar para cultivo, ainda no primeiro semestre, outras 17. No total, serão 114 qualidades de cana-de-açúcar RB desenvolvidas em 50 anos de pesquisa pelo setor público.

“As novas cultivares são adaptadas para as regiões de cultivo que possuem características climáticas, solos, tecnologia de manejo e outros fatores que influenciam no seu desempenho agrícola”, revela Oliveira.

Processo de melhoramento genético de plantas

O melhoramento genético proporciona aumento de produtividade, pois viabiliza o cultivo de plantas mais resistentes a pragas e a doenças e adaptadas para as diferentes regiões produtoras. De acordo com o coordenador do programa na UFPR, o processo tem grande relevância para o setor agrícola e, principalmente para a sociedade, brasileira e mundial.

O professor explica que são necessários cerca de 15 anos de estudos e pesquisas para obter uma nova variedade de cana-de-açúcar: “O processo inicia com a produção de sementes em estações de floração e cruzamento da Rede, que possuem bancos de germoplasma. Existem centenas de possibilidades estudadas para gerar as combinações híbridas e produzir sementes originárias de diversos cruzamentos”.

Nas estações, são produzidas milhares de sementes e enviadas para as universidades da Ridesa iniciarem as fases de experimentação de campo. Entre as etapas realizadas nas universidades estão: germinação das plântulas; seleção de clones de cana-de-açúcar RB; ensaios de competição de clones; avaliação da época de maturação dos clones; e reação às pragas e doenças de clones.

“Depois desses estágios, que levam alguns anos, os clones são multiplicados em ensaios de validação comercial. Essa fase dura cerca de dois anos até que sejam comprovadas as qualidades em situações de manejo”, afirma Oliveira.

Ridesa no Brasil

A Ridesa é conveniada com 298 usinas no Brasil, o que representa, aproximadamente, 80% das empresas brasileiras produtoras de cana, açúcar, etanol e bioeletricidade. “A Rede ainda possui diversas ações de transferência de tecnologia para pequenos produtores que geram produtos como açúcar mascavo, aguardente artesanal e alimentação animal”, destaca o coordenador.

Esse modelo de parceria com usinas e destilarias possibilita que a Rede desenvolva novas variedades e as introduza em sistemas de cultivos no Brasil para avaliá-las com base em experimentos nas empresas nacionais.

Em 2021 a Ridesa comemora 30 anos de criação e 50 anos de variedades RB. Além da liberação das 21 novas qualidades desenvolvidas em várias regiões produtoras do Brasil, haverá o lançamento de três livros abordando a temática.

Jéssica Tokarski


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