Cana: Variedades

AFCP renova acordo com Ridesa para uso de cana melhorada sem pagamento de royalties

Parceria com a Ridesa permite o uso das variedades pelos sócios da AFCP por mais cinco anos, sem o pagamento de royalties


AFCP - 13 ago 2020 - 08:12

Ao invés do pagamento de royalties de até R$ 300 por hectare pelo uso da cana melhorada geneticamente, os produtores vinculados à Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) continuarão usando as melhores variedades de cana para região sem cobrança por mais cinco anos.

O benefício foi renovado até 2025 por meio de um acordo entre a AFCP e a Rede Interuniversitária para Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), através da Estação Experimental de Cana-de-Açúcar do Carpina, que pertence à Universidade Federal Rural (UFRPE). A Ridesa é a rede responsável pelo melhoramento genético e pela propriedade intelectual da maioria das variedades de cana usadas no Nordeste.

“Assim como acontece em todo Brasil, onde outros centros de pesquisa cobram royalties de R$ 100 a R$ 300 por hectare pela nova variedade de cana criada e usada pela maioria dos produtores daquela região, a Ridesa também cobra os royalties dos canavieiros locais, com base na mesma Lei Federal de Cultivares (9.456/1997)”, conta o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima.

Para o coordenador da Ridesa em Pernambuco, Djalma Euzébio, a implantação dos convênios com as unidades agroindustriais e associações canavieiras ajuda no financiamento das pesquisas para o desenvolvimento de novas variedades da cana, que buscam o aumento da produtividade dos canaviais e da concentração de açúcar total recuperável (ATR), importante indicador para a definição do preço da cana.

“Nossas estações de cruzamento de variedades da cana estão aqui no Nordeste, especificamente em Pernambuco e em Alagoas”, fala o pesquisador, que também lidera a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar do Carpina, da UFRPE.

A parceria com a Ridesa permite a utilização das variedades da série RB que estão mais adaptadas às questões hídricas, doenças e às pragas dos canaviais do Nordeste. A propriedade intelectual da RB é da Ridesa, como as séries RB 92579 e 041443, as mais utilizadas na região.

“Estas duas variedades são as mais populares entre os nossos fornecedores associados porque geram alta produtividade, têm resistência a algumas doenças, têm fácil manejo e produzem um alto teor de ATR”, esclarece Andrade Lima.

De todas as variedades usadas nos canaviais pernambucanos na última safra, um relatório recente da Ridesa-UFRPE demonstra que a RB 041443 atingiu 29% da prioridade no plantio de verão e 17% no plantio de inverno. O percentual é ainda maior quando contabilizada todas as variedades RB utilizadas na safra passada, alcançando 54% no verão e 44% no inverno.

Em relação à colheita, o quantitativo também foi amplo, com 50%. A perspectiva para a nova safra é de aumento, com o indicador chegando a 60%.