Trabalhadores

Trabalhadores da BP Bunge que estavam em ônibus atingido por incêndio pedem reparação

Sobreviventes querem reparação por danos estéticos, morais e materiais; incêndio foi registrado em agosto de 2021 e matou três trabalhadores


G1 - 02 mar 2022 - 09:18 - Última atualização em: 02 mar 2022 - 15:44
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Trabalhadores aguardam indenização após incêndio que destruiu ônibus em Ituiutaba (MG)

Seis meses após sobreviverem ao incêndio em um canavial que atingiu o ônibus em que estavam, trabalhadores da usina Ituiutaba Bioenergia, da BP Bunge, pedem pagamento de indenização por danos estéticos, morais e materiais. A empresa se manifestou.

O incidente ocorreu em agosto de 2021 quando o grupo era transportado para o trabalho. O motorista e 15 funcionários foram surpreendidos pelas chamas.

Um trabalhador morreu no local. Outros 12 funcionários foram socorridos e dois deles não resistiram aos ferimentos e morreram.

Ferimentos

De acordo com o operador de máquina agrícola, Albertino Guedes Barbosa, as queimaduras atingiram diversas partes do corpo e atrapalham a vida dele. Albertino trabalha na usina há nove anos, mas está afastado desde o incêndio.

“Eu queimei a testa, as orelhas, a boca, um pouco do rosto, as mãos. Foi muito complicado porque o primeiro socorro foi no Hospital Nossa Senhora da Abadia, depois fomos encaminhados para Sertãozinho (SP). Lá, fiquei 26 dias internado”, disse o operador.

Outro trabalhador que sofre com as sequelas do acidente é o mecânico automotivo André Luís Grassi Espíndola. Ele sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus e chegou a ficar internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O mecânico também passou por cirurgia para realizar enxerto nas mãos.

Indenização

Ainda segundo Espíndola, mesmo afastados, os trabalhadores recebem suporte médico da usina desde o acidente. Os salários são pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas até o momento não receberam nenhum tipo de indenização.

“Com questão à indenização, não tivemos nenhum acordo. Nenhum representante da empresa nos procurou nesses seis meses do acidente para saber se nós temos algum direito. Não podemos ficar assim”, disse o mecânico.

Ele e outros sete funcionários ajuizaram uma ação trabalhista contra a empresa por danos estéticos, morais e materiais.

“Não tivemos culpa pelo acidente e que sejamos indenizados, pois as marcas nós vamos carregar pelo resto da vida”, pontuou Albertino Guedes Barbosa.

O que diz a empresa

Em nota, a BP Bunge afirmou que, desde o acidente, mantém diálogo permanente para identificar as necessidades de assistência, prestando todo apoio aos colaboradores e familiares, incluindo custeio integral dos tratamentos médicos, hospitalares e domiciliares, além de outros auxílios.

O incêndio

Conforme o mecânico automotivo, quando viu o fogo se alastrar na direção do ônibus, o motorista tentou fazer uma conversão no meio do canavial. No entanto, foi atingido pelas chamas.

“O motorista tentou fazer uma conversão e acabou caindo dentro do fogo mesmo. Aí o ônibus ‘afogou’, foi tomado por fumaça e fogo. Foi aí que começou o desespero de todo mundo morrer queimado. Alguns amigos tentando estourar a porta, outros tentando estourar vidro. O fogo era tão forte que, quando a porta abriu, ele começou a entrar dentro e batia no teto do ônibus e não dava para ver os degraus para descer. A gente colocava a mão no rosto e pulava”, disse André Luís Grassi Espíndola.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e a ocorrência foi atendida por três militares. Segundo o soldado Geraldo Rocha, o incêndio foi uma das ocorrências mais graves que ele atendeu.

“Ao chegar no local nos deparamos com o ônibus completamente em chamas, já havia sido totalmente destruído. Poucos metros à frente encontramos a primeira vítima fatal. Sem dúvida, era uma situação muito crítica”, afirmou Rocha.

Relembre o caso

O incêndio ocorreu em agosto de 2021 quando o ônibus com trabalhadores da usina Ituiutaba Bioenergia passava por um canavial e foi surpreendido pelas chamas. Das 16 pessoas que estavam no veículo, uma morreu, 12 foram levadas para hospitais e três não se feriram.

A fuga dos trabalhadores foi registrada por quem estava dentro do ônibus. Imagens também mostram a corrida pelo canavial.

Duas vítimas mais graves foram encaminhadas para o Hospital São Lucas, em Ribeirão Preto (SP), e foram sedadas e intubadas dois dias depois. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso no início de setembro.

Um dos trabalhadores internados morreu em 12 de setembro. Duas semanas depois, o terceiro trabalhador morreu.

Isabela Chagas


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