Trabalhadores

Demitidos da Dedini fazem ato para cobrar R$ 15,8 milhões em rescisões

Valor é da venda de terrenos da empresa; Justiça Federal decide destino. Sindicato quer o dinheiro para pagar ex-funcionários e não dívidas fiscais.


G1 - 09 mai 2016 - 09:08

Funcionários demitidos da metalúrgica Dedini Indústria de Base S/A, em Piracicaba (SP), realizaram um protesto, na manhã desta sexta-feira (6), para que a Justiça Federal determine o pagamento de R$ 15,8 milhões, obtidos com a venda de imóveis da empresa, para a rescisão dos trabalhadores. O ato começou às 9h na sede do órgão, no bairro Vila Rezende, e depois os manifestantes seguiram para o prédio onde mora um dos proprietários da companhia.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, o objetivo da manifestação é cobrar agilidade da Justiça Federal para que o órgão defina qual será a destinação do valor da venda dos terrenos da empresa. A intenção dos funcionários é que os R$ 15,8 milhões sejam usados apenas para as verbas rescisórias dos demitidos e não para pagar as dívidas fiscais da companhia.

Durante a passeata, cerca de 200 ex-funcionários fecharam ruas e avenidas do bairro Vila Rezende até chegar ao prédio do dono da indústria. O trânsito ficou carregado no local. A Polícia Militar acompanhou o protesto junto com o helicóptero Águia. Até a publicação, não haviam informações sobre negociação entre os manifestantes e o proprietário da Dedini.

Ainda de acordo com o sindicato, a empresa demitiu 1,6 mil funcionários nos últimos dois anos em Piracicaba e Sertãozinho (SP). Todos os trabalhadores estão sem receber os direitos trabalhistas. A dívida total da Dedini, entre trabalhista e fiscal, é de aproximadamente R$ 32 milhões, de acordo com a entidade. A companhia não se manifestou sobre o assunto até a publicação da reportagem.

Venda de terrenos

No dia 11 de novembro de 2015, terrenos da Dedini que eram utilizados como estacionamento do Shopping Piracicaba foram vendidos por R$ 15,8 milhões, em meio a uma ação de execução fiscal federal contra a metalúrgica. No entanto, dias depois, o valor foi bloqueado pela Justiça de Piracicaba para que fosse avaliado qual instância judicial deveria decidir o destino do dinheiro.

Aproveitando a "brecha", no dia 17 de dezembro, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Piracicaba e Região solicitou ao juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 2ª Vara Cível do município, que o recurso fosse destinado ao pagamento dos cerca de 500 trabalhadores dispensados em agosto do ano passado pela Dedini.

Antes mesmo de Silva tomar a decisão, o Ministério Público (MP) opinou favorável à solicitação. Já a Fazenda Nacional da União afirmou que o dinheiro deveria ser destinado ao pagamento de débitos fiscais. Com o impasse, a Justiça Federal informou, na ocasião, que a decisão não tem prazo para acontecer. O G1 procurou o órgão, mas não obteve retorno.

Demissões e recuperação judicial

Entre janeiro e fevereiro, a indústria demitiu 40 trabalhadores na unidade de Piracicaba. No início de dezembro do ano passado, mais 200 trabalhadores do município e de Sertãozinho foram dispensados.

Em agosto de 2015, a Dedini já havia demitido cerca de 650 funcionários nas unidades de Piracicaba (SP) e Sertãozinho. No mesmo mês, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para tentar evitar a falência, e recebeu prazo para retomar a saúde financeira dos negócios.