Trabalhadores

Ainda a escravidão: ensaio fotográfico ganha o mundo mostrando prática condenável

Apesar do avanço da mecanização, sistema de trabalho colonial e pagamento por volume de cana colhida ainda resiste dentro do setor de açúcar e etanol


NovaCana - 30 mar 2015 - 10:42

O jornal El País, uma das publicações mais relevantes no mundo, destacou neste final de semana um ensaio fotográfico do documentarista Márcio Pimenta. Nas imagens que ganharam o mundo aparecem seres humanos sob um calor de 38°C, trabalhando sem descanso em meio a fuligem de um canavial na Bahia. 

A versão em inglês do ensaio permaneceu na página inicial do popular site Digg, após receber centenas de votos.

O ensaio mostra um recôncavo que parou no tempo. Ganhando por produção, os trabalhadores estavam desde às 5h no canavial sem descanso e almoço. “Ganhamos por produção, então é melhor seguir trabalhando direto até as 16h. Depois descansamos e amanhã começamos novamente”, revelou um dos trabalhadores.

No relato do documentarista, o expediente dos cortadores poderia se estender por até 12 horas e seria preciso cortar cerca de 15 toneladas de cana para que conseguissem receber uma diária de R$ 80.

As imagens podem estão acessíveis aqui.

Sistema proibido

A sistemática de pagamento por produtividade foi, novamente, alvo de uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas (SP), que proibiu a Raízen, maior empresa do setor, de utilizar este tipo de remuneração. O Ministério Público do Trabalho (MPT) compreendeu que desta forma os trabalhadores praticam um esforço subumano.

Além disso, o Tribunal considerou como uma obrigação da empresa monitorar a exposição dos seus funcionários ao calor e conceder pausas consideradas como tempo de serviço mediante risco de estresse térmico.

De acordo com os procuradores do MPT desde 2003 já foram registrados dezenas de mortes ligadas ao trabalho exaustivo. E revelou um levantamento surpreendente: em um dia um cortador desfere 3.792 golpes com o podão. Também realiza, em média, 3.394 flexões de coluna e levanta cerca de 11,5 toneladas de cana.

novaCana.com


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