Cana: Safra / Moagem

Com tempo seco, área colhida de cana teve crescimento de 3,5% no acumulado da safra

Relatório da Unica aponta que, de abril a junho, as usinas do Centro-Sul registraram um aproveitamento acima da média histórica


novaCana.com - 22 jul 2020 - 09:13

Em um relatório sobre as condições de colheita de cana-de-açúcar da região Centro-Sul, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) aponta que o tempo mais seco registrado nos três primeiros meses da safra 2020/21 favoreceu a operacionalização da colheita. Segundo a entidade, o aproveitamento de tempo neste período ficou acima da média histórica, atingindo 86%.

“Essa condição garantiu um ritmo mais intenso na moagem e avanço de área colhida”, declara a Unica. Os dados foram obtidos pela entidade por meio de uma parceria com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), o Sistema Tempocampo, vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), e o Laboratório Integrado de Análise de Dados em Agronegócio e Bioenergia (Linear).

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A Unica observou que a quantidade de cana-de-açúcar processada pelas unidades do Centro-Sul cresceu 5,2% em relação ao mesmo período da safra anterior, totalizando 229,39 milhões de toneladas até o final de junho. “O maior aumento no trimestre foi observado nos estados de Minas Gerais (9,4%), São Paulo (9,2%) e Goiás (3,8%)”, complementa.

Ainda segundo o relatório, a área colhida até junho apresentou crescimento de 3,5% no comparativo com 2019/20, alcançando 2,67 milhões de hectares no Centro-Sul. Neste caso, o destaque foi o avanço registrado em Goiás (10,4%) e Minas Gerais (10%).

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De acordo com o documento, as chuvas no primeiro trimestre da safra 2020/21 ficaram abaixo do patamar histórico. No acumulado de abril a junho, o volume de precipitações foi 40% inferior à média histórica.

“As lavouras de São Paulo e Minas Gerais foram as mais afetadas pelo reduzido volume de chuvas, com precipitação acumulada apresentando retração de 50% na comparação com a média histórica”, detalha a Unica.

O tempo seco, ainda conforme o relatório, estimulou a concentração de açúcares na planta. No acumulado da safra 2020/21, o índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar na região Centro-Sul alcançou 131,1 kg, um crescimento de 5,6% ante os 124,4 kg observados um ano antes.

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Produtividade

O relatório ainda afirmou que a produtividade agrícola da região Centro-Sul atingiu 85,9 toneladas por hectare no primeiro trimestre da atual safra. O resultado representa um aumento de 1,6% em relação às 84,6 t/ha do ciclo anterior. “Esse crescimento médio foi sustentado pelo crescimento da produtividade em São Paulo, que registrou incremento de 3,8% até junho”, justifica.

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Além disso, o relatório também aponta um efeito positivo equivalente a 1,08 t/ha, associado à colheita de cana mais nova, com maior participação de plantas em 1º, 2º e 3º cortes. “No atual ciclo agrícola, a participação da cana-planta na área colhida atingiu 25% até junho, contra 22% na safra 2019/20. Por consequência, a idade média do canavial alcançou 3,2 anos no acumulado desta safra, ante 3,3 anos na safra anterior”, observa.

Outro efeito positivo – este equivalente a 0,33 t/ha – foi relacionado às condições climáticas e aos tratos culturais. Em contrapartida, houve também um efeito negativo de 0,03 t/ha, decorrente da menor proporção de cana bisada.

Especificamente em junho, o rendimento médio da lavoura apresentou aumento de 2,9% na comparação anual, atingindo 88,3 t/ha. Esta taxa de crescimento, entretanto, pode não se manter. “Para os próximos meses, o rendimento da lavoura deverá ser impactado pelo clima mais seco dos últimos meses e, especialmente, pela colheita de canavial mais velho”, projeta a Unica.

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Conforme o relatório, o coeficiente de produtividade climática (CPC) esperado para o final da safra 2020/21 indica maior acúmulo de biomassa no norte do Paraná, no sudeste do Mato Grosso do Sul, no triângulo mineiro e nas regiões paulistas de Assis, Araçatuba, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto.

Por outro lado, a simulação climática para as regiões produtoras em Piracicaba (SP), São Carlos (SP), Goiás e Mato Grosso aponta para uma retração da produtividade, decorrente exclusivamente do efeito climático.

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