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Cana: Safra / Moagem

Plínio Nastari fala dos possíveis impactos da geada para a safra de cana-de-açúcar


Siamig - 10 jul 2019 - 07:18

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, participou de uma reunião com a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig). O encontro aconteceu na tarde da segunda-feira (8), em Uberaba (MG).

Na ocasião, Nastari também concedeu entrevista ao Portal Siamig. Ele falou sobre os possíveis impactos da geada no canavial e a safra de cana-de-açúcar de modo geral.

Já é possível falar sobre o impacto da geada do final de semana, que atingiu as lavouras de cana em algumas regiões produtoras do país, como Minas Gerais?
Estamos recém saindo do episódio de geada. A identificação do impacto na cana ainda não está quantificada, mas poderemos ter uma visão melhor disso daqui a um ou dois dias. Talvez essa onda de frio possa acarretar um amadurecimento maior do canavial, não sabemos ainda se houve morte de gema apical e se a cana que tinha brotado, a cana plantada, foi danificada. Precisamos aguardar os levantamentos.

Isso pode impactar a safra como um todo?
De regra geral, a safra começou atrasada. Porém, comparado com o ano passado, este período foi parcialmente compensado no final de maio porque, no ano passado, tivemos cinco dias e meio de interrupções em função da greve dos caminhoneiros. Além disso, o tempo seco nesses últimos 25 dias também contribuiu para diminuir o gap de moagem. No entanto, estamos verificando um menor rendimento industrial que está pesando, mas é uma safra que está com uma oferta de ATR (açúcar recuperável) ligeiramente menor do que no ano passado, compensada pelo maior volume de cana. Devido às chuvas deste ano, mais bem distribuídas, o rendimento da cana não está tão elevado, diferente do ano passado, quando o ATR foi alto por causa do período mais seco, favorecendo uma concentração maior de sacarose.

E a produção?
Estamos prevendo uma produção recorde de etanol e um consumo acelerado durante todo o ano. Mesmo com a queda da gasolina na refinaria, a competitividade do etanol tem se mantido elevada nas bombas, já que as distribuidoras não estão repassando as reduções da gasolina para o consumidor. Já o consumo de etanol está entre 38% e 42% maior que no ano passado e, para maior equilíbrio do mercado, o preço do etanol deverá subir na produção.