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Cana: Safra / Moagem

No Paraná, cinco usinas de cana devem cessar moagem da safra 2019/20 em outubro


Money Times - 09 out 2019 - 08:02

Usinas de cana-de-açúcar no noroeste do Paraná podem parar a moagem da safra 2019/20 já nos próximos dias. Entre o final de outubro e 30 de novembro, as 19 usinas que rodam no estado devem realizar a moagem de 34 milhões de toneladas de cana.

O motivo é a estiagem mais longa no Paraná, que atrasa o plantio da soja e fez algumas unidades anteciparem o fim da safra de cana.

Pelos informes das unidades à Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), cinco usinas devem parar até final de outubro; outras 12 funcionarão até 15 de novembro. Já as últimas duas unidades devem param de receber cana na quinzena seguinte.

Desde o início da safra, em abril, o planejamento das unidades previa este cronograma, que sofre leves mudanças. “As cinco usinas que pararão este mês estavam programadas para a primeira quinzena de novembro”, diz o presidente da Alcopar, Miguel Tranin. Ele observa que o tempo seco ajudou as unidades a colherem mais cana e mais rapidamente.

Assim, o que pode atrapalhar o quadro, segundo Tranin, são as chuvas. De acordo com ele, se as precipitações acontecerem com regularidade e força, elas devem tirar as máquinas dos campos. Porém, ele assegura que – ao menos por enquanto – não há sinal de que isso deve acontecer, de modo que os planos devem ser mantidos.

A partir das 34 milhões de toneladas de matéria-prima – número praticamente igual ao da safra 2018/19 –, serão fabricados 1,4 bilhão de litros de etanol. O valor indica uma safra mais alcooleira no estado.

Na temporada passada, de acordo com Miguel Tranin, 59% da cana-de-açúcar foi direcionada para o biocombustível e 41% para açúcar. O mix agora é de 60,5% de etanol, alterando o perfil paranaense, tradicionalmente mais açucareiro.

“Na safra atual, vamos fabricar 2,1 milhões de toneladas de açúcar, mas são de compromissos mais antigos”, informa o presidente da Alcopar, em alusão aos preços deprimidos do adoçante que se repetiram ao longo desta safra e da passada.

Em relação à paralisação das unidades paranaenses e o efeito na balança de etanol, Tranin relata que as usinas estão operando com estoques altos, contando com preços mais elevados na entressafra (de janeiro a março). Mas ele reforça que o cenário será comum a todo o Centro-Sul, diante do consumo aquecido do biocombustível.

Também vice-presidente da Federação das Indústrias do Paraná, Tranin acredita que haverá uma regulação dos preços, ou seja, uma alta no varejo (via repasse da cadeia), em equilíbrio com a oferta do etanol de milho e, até, das importações do etanol dos Estados Unidos.

Giovanni Lorenzon