Cana: Safra / Moagem

Unica estima moagem para o Centro-Sul em 2017/18: 585 milhões de toneladas


Unica - 26 abr 2017 - 11:18

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em conjunto com os demais sindicatos e associações de produtores do Centro-Sul e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), concluiu a estimativa para a safra 2017/18 de cana-de-açúcar. A projeção indica uma moagem de 585,00 milhões de toneladas, queda de 22,14 milhões de toneladas em relação às 607,14 milhões de toneladas processadas na safra anterior.

O número é bastante similar à média de 589,8 milhões de toneladas estipulada pelo novaCana como resultado de um levantamento com 15 empresas especializadas do setor.

Segundo a Unica, esta queda resulta, sobretudo, da ligeira retração na área disponível para colheita e da diminuição esperada na produtividade agrícola do canavial a ser colhido no ciclo 2017/2018.

Os dados apurados e compilados pela Unica e demais associações, bem como o mapeamento da lavoura a partir de imagens de satélite, apontam para uma redução de aproximadamente 1,5% na área disponível para colheita em 2017/2018. Esse recuo decorre da estagnação da área cultivada e da maior renovação do canavial com plantio de 18 meses.

Com efeito, informações citadas pela entidade sobre o plantio coletadas pelo CTC no início de 2017, para uma amostra de 230 empresas, revelam um crescimento de 45,12% na área de cana plantada entre dezembro de 2016 e março de 2017, quando comparado ao índice registrado no mesmo período dos anos anteriores. O maior plantio foi estimulado pela necessidade de renovação do canavial e pelos preços mais remuneradores observados ao longo do ciclo 2016/2017.

Em relação à produtividade agrícola, dois fatores principais influenciaram a expectativa de queda para a safra 2017/2018: a redução na quantidade de cana bisada e o envelhecimento do canavial.

No ciclo 2016/2017, quase 8% da área colhida foi representada por cana bisada, cujo rendimento agrícola médio atingiu 97,19 toneladas por hectare. Já para a safra 2017/2018, este percentual deve totalizar cerca de 1%, reduzindo, portanto, o efeito positivo dessa variável sobre a produtividade média do canavial colhido no Centro-Sul.

No tocante ao envelhecimento do canavial, no último ano a área de reforma e de expansão da lavoura respondeu por apenas 14,5% da área colhida, muito aquém dos 18% que deveriam ser observados em uma condição regular de produção. Como resultado, a idade média do canavial disponível para a colheita no ciclo 2017/2018 aumentou: saltou de 3,55 anos registrados na safra 2016/2017, para 3,72 anos na 2017/2018.

O efeito do envelhecimento da lavoura e da menor proporção de cana bisada sobre o rendimento agrícola deve ser atenuado pelas melhores condições climáticas observadas até o momento em diversas regiões canavieiras e pela retomada dos tratos culturais em níveis satisfatórios ao longo do último ano. Adicionalmente, no ciclo 2016/2017 a produtividade agrícola foi impactada pela geada que acometeu parte dos canaviais – fenômeno que, a princípio, não deve ocorrer nessa nova safra.

Como consequência direta da conjunção de todos esses elementos supramencionados, o rendimento esperado para a área a ser colhida no ciclo 2017/2018 apresenta queda de aproximadamente 2% na comparação com o último ano, quando alcançou 76,64 toneladas de cana por hectare.

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Número de unidades em operação

De acordo com a Unica, a capacidade de moagem e o número de unidades em operação não devem sofrer alteração significativa na safra 2017/2018.

O levantamento conduzido pela entidade e demais sindicatos do Centro-Sul indica que duas unidades fechadas nos últimos anos devem ser reativadas no ciclo que se inicia, sendo uma no Estado de São Paulo e outra no Mato Grosso do Sul.

Em contrapartida, quatro unidades que operaram na última safra não devem processar cana em 2017.

Devido à baixa oferta de matéria-prima, essas empresas decidiram direcionar a cana-de-açúcar para processamento em outras plantas industriais.

Qualidade da matéria-prima

A projeção da Unica para a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana é de 134,40 kg na safra 2017/2018, contra 133,03 kg verificados no último ano.

Produção de açúcar e de etanol

Do volume total de matéria-prima a ser processada na safra 2017/2018, a Unica estima que 46,99% deverá ser destinada à produção de açúcar. Com isso, a fabricação projetada é de 35,20 milhões de toneladas de açúcar, ligeira queda de 1,20% no comparativo com as 35,63 milhões de toneladas registradas na safra 2016/2017.

Esse cenário fundamenta-se na expectativa de que a menor quantidade de matéria-prima deva limitar a expansão da produção de açúcar, mesmo com o aumento observado na capacidade instalada de cristalização no Centro-Sul.

Nesse contexto, a produção esperada de etanol deverá somar 24,70 bilhões de litros, retração de 3,71% no comparativo com os 25,65 bilhões de litros verificados na safra 2016/2017. Deste volume, 10,84 bilhões serão de etanol anidro e 13,86 bilhões de litros de hidratado.

A produção estimada de etanol incorpora mais de 300 milhões de litros fabricados no Brasil a partir de milho. Com efeito, o volume produzido de etanol de milho no ciclo 2016/2017 totalizou 234,15 milhões de litros, sendo 36,64 milhões de litros de etanol anidro e 197,51 milhões de litros de hidratado.

O volume de produção projetado, associado a um crescimento de 0,50% previsto para o consumo de combustíveis leves no País, apontam para uma retração próxima de 600 milhões de litros das vendas de etanol hidratado carburante na safra 2017/2018 em relação ao ciclo anterior. No caso do anidro, a estimativa indica um crescimento superior a 200 milhões de litros para o mesmo período.

No que tange à exportação do biocombustível pelo Centro-Sul, esta deve totalizar cerca de 1,10 bilhão de litros no ciclo 2017/2018, abaixo do volume registrado em 2016/2017 (1,36 bilhão de litros).

Com edição novaCana.com


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