Cana: Safra / Moagem

Moagem de cana atinge 51 milhões de toneladas no Norte-Nordeste

Safra 2020/21 apresenta queda discreta em relação à anterior, mas a produção de açúcar e etanol anidro cresceu


Folha de Pernambuco - 29 mar 2021 - 08:12

Desde o início da safra 2020/21, o volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras do Norte-Nordeste atingiu a marca de 51,16 milhões de toneladas. A informação foi divulgada pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) à Mesa de Abastecimento do Ministério de Minas e Energia, em Brasília, onde estiveram reunidos executivos do setor sucroenergético na última quinta-feira, 25.

A safra desta temporada apresenta uma queda discreta em comparação com a safra anterior, de 0,7%, quando foi atingido um total de 51,5 milhões de toneladas. Entretanto, as produções de açúcar e de etanol anidro mantiveram a tendência de crescimento em relação ao ciclo 2019/20, registrando altas de 4,9%, sendo 2,95 milhões contra 2,81 milhões de toneladas, e 3,5%, com 952,9 mil ante 920,7 mil litros, respectivamente.

Segundo o presidente-executivo da NovaBio e presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, um dos motivos para o crescimento do açúcar se deu pelo câmbio favorável ao exportador e pela grande demanda dos países asiáticos.

“A safra 2020/21, que está quase concluída no Norte e Nordeste, caracterizou-se por uma distribuição irregular das chuvas, fazendo com que até 15 de março, os números de canas esmagadas sejam ligeiramente menores. As produções do açúcar e do etanol anidro, apresentaram crescimento motivadas pelas exportações de açúcar para países asiáticos, que investiram em estoques na pandemia e pelo câmbio”, disse Cunha.

Faltando poucos dias para o fim da safra na região, a produção total de etanol somou 2,1 milhões de litros, uma retração de 8,4% sobre o último ano. Além dos mais de 952 mil litros de etanol anidro, a indústria sucroenergética do Norte-Nordeste entregou 1,15 milhão de litros do produto hidratado ao mercado interno, volume 16,4% inferior ao observado em igual data do ciclo 2019/20.

Na avaliação de Renato Cunha, os números refletem no baixo consumo por conta das medidas de isolamento social impostas pela pandemia da covid-19. Ele ainda destaca que a safra teve momentos de oscilação.

“O volume de hidratado foi menor, em função de alternados períodos do isolamento social, quando o consumo foi menor. Esse ano a safra que está encerrando apresentou altos e baixos, inclusive com políticas imprevisíveis para a questão dos preços dos combustíveis, sobretudo, face aos aumentos do petróleo que ainda é o maior norteador da precificação dos seus derivados nos mercados internos em vários países”, afirmou.

O estoque físico de etanol anidro, medida que garante segurança no abastecimento do produto durante a entressafra canavieira, aumentou 29,18% até 15 de março, com 146,8 mil litros ante 113,6 mil litros registrados nos primeiros quinze dias do mesmo mês em 2020. Para o hidratado, o recuo foi de 38,49%, totalizando 102,5 mil litros contra 166,7 mil armazenados na safra passada. “O etanol anidro, também teve volume melhor, com vistas a garantir a mistura de 27% que melhora a qualidade ambiental da gasolina”, ressaltou Renato.

O presidente da NovaBio aponta que esta safra destaca a importância da implantação da venda direta do etanol por parte das usinas, que tramita na Câmara dos Deputados.

“A NovaBio vem trabalhando para que se consolide mais uma alternativa através da venda direta do etanol hidratado, com o projeto de lei que já tem um novo relator, na CCJ da Câmara Federal, que é o deputado Silvio Costa Filho (Republicanos). As sinalizações são esperançosas, onde as usinas quando próximas aos postos de combustível, poderiam também nessa opção, vender diretamente”, declarou Renato Cunha.

Matheus Jatobá


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