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Cana: Safra / Moagem

Levantamento com mais de 340 usinas demonstra cautela: previsão é de safra de 567 milhões de toneladas no Centro-Sul

Pesquisa foi divulgada nesta terça-feira (7) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)


novaCana.com - 07 mai 2019 - 10:34 - Última atualização em: 14 mai 2019 - 10:58

O primeiro levantamento de safra 2019/20 de cana-de-açúcar com as usinas, divulgado nesta terça-feira (7) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estima uma produção de 566,7 milhões de toneladas pelas usinas do Centro-Sul. 

O número vai além da visão governamental de como andará a atual temporada, expressando o sentimento das sucroenergéticas, pois o estudo parte de dados fornecidos pelas empresas atualmente em operação aos técnicos da Conab, totalizando mais de 340 usinas em todo o país.

Ao longo da safra, a Conab realiza quatro destes levantamentos. Este é o primeiro referente à temporada 2019/20 e traz um sentimento de cautela por parte das usinas.

O novaCana comparou os dados obtidos pela Conab no início das últimas dez safras com o resultado do último levantamento, a fim de visualizar a distância entre eles.

Nas últimas três temporadas, as perspectivas iniciais fornecidas pelas usinas ficaram acima do resultado final. Na últimas dez, a moagem média estimada pelas usinas foi 17,1 milhões de toneladas a mais do que o resultado. Com isso, o otimismo no começo da safra constatado pela Conab é de, em média, 2,3% acima do que será o final.

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Além disso, em levantamento feito pelo novaCana com 21 empresas e consultorias especializadas no setor, a moagem da próxima safra foi estimada, em média, em 573,63 milhões de toneladas – 6,93 milhões de toneladas acima do que a perspectiva das usinas consultadas pela Conab.

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Perspectivas para a safra

Além do leve pessimismo em relação às consultorias, o levantamento da Conab traz uma perspectiva de redução de 0,7% na moagem nacional de cana-de-açúcar em 2019/20 – de 620,4 milhões para 616 milhões de toneladas. O motivo da retração seria a menor área colhida, estimada em 8,38 milhões de hectares, 2,4% a menos em comparação com a safra 2018/19.

Segundo o documento, embora tenha havido um aumento da projeção de produtividade média – de 72,23 t/ha para 73,49 t/ha –, isso não seria suficiente para influenciar positivamente a produção.

Outra projeção da Conab é a elevação de 9,5% na produção de açúcar, que deverá atingir cerca de 31,8 milhões de toneladas. “Isso demonstra uma tendência de reequilíbrio entre a destinação de cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar e etanol”, garante o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Guilherme Bastos.

De acordo com ele, embora o açúcar esteja se recuperando, a tendência é que o mercado ainda se mantenha mais atrativo para o etanol, em razão da grande quantidade de açúcar que existe no mercado internacional. “A Índia, por exemplo, mantém a sua produção elevada e isso diminui nossa exportação e puxa o preço no mercado interno para baixo. Com isso, o produtor opta por investir no combustível”, conclui.

O levantamento da Conab também aponta uma perspectiva de queda de 4,2% na produção de etanol, projetada para 30,3 bilhões de litros. Essa redução deve ser concentrada no hidratado, que terá uma redução de 16,5%, encerrando o período com 19,7 bilhões de litros.

O etanol anidro, por sua vez, deverá ter aumento de 11%, alcançando 10,6 bilhões de litros em 2019/20.

Etanol de milho

Pela primeira vez, a Conab também projetou a produção de etanol de milho. Segundo a companhia, em 2018/19, a matéria-prima produziu 234,28 milhões de litros de anidro e 557,15 milhões de litros de hidratado.

Para 2019/20, a perspectiva é de crescimento, principalmente para o hidratado, que deve quase dobrar, chegando a 1,10 bilhão de litros. Em relação ao anidro, a perspectiva é de 308,79 milhões de litros (+31,8%).

Segundo o levantamento, o estado que mais produz etanol de milho é Mato Grosso – que, sozinho, deve ser responsável pela produção de 1,05 bilhão de litros em 2019/20 –, seguido por Goiás e Paraná.

“Existe a perspectiva de surgirem novas unidades, porque outros estados já estão investindo para iniciar sua produção nos próximos anos”, afirma Guilherme Bastos.

Mais informações

Gabrielle Rumor Koster
Com informações da Conab

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