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Cana: Safra / Moagem

Etanol competitivo deve levar a redução na produção de açúcar no CS, diz FCStone

Clima acentua diminuição na expectativa do grupo, que atualizou a estimativa moagem para 583,8 milhões de toneladas em 2018/19; consultoria calcula produção de 33,5 milhões de toneladas de açúcar


INTL FCStone - 09 nov 2017 - 10:59 - Última atualização em: 08 fev 2018 - 09:43

De acordo com a revisão da INTL FCStone, em 2017/18 o Centro-Sul deve processar 3,8% menos cana-de-açúcar no comparativo com o ciclo 2016/17, o que representa 583,8 milhões de toneladas. Em relação à última projeção do grupo, realizada em setembro, a queda é de apenas 552 mil toneladas.

"Somente em outubro, cerca de 147 mm precipitaram sobre o cinturão canavieiro, volume 40% maior que a média dos últimos dez anos para o mês. Entretanto, o clima mais úmido não deve ter grande influência sobre os números da safra atual, sendo que esta foi fortemente influenciada pelo período mais seco compreendido entre junho e agosto", explica o analista de mercado, João Paulo Botelho, em relatório. 

Nesse período, um total de 66,7 mm precipitaram sobre as lavouras canavieiras do Centro-Sul. Comparativamente, em 2016 e 2015, os respectivos volumes precipitados foram de 141,4 e 105,8 mm nestas regiões produtoras.

Novos números para 2017/18

Em contrapartida, o clima mais seco favoreceu o teor médio de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) na cana-de-açúcar. "Com menos água disponível, esses açúcares se acumulam mais intensamente nos colmos", analisa Botelho. A INTL FCStone aumentou em 0,9% o valor para esta variável em relação à última projeção, para 136,1 kg/t. Comparando safra-a-safra, a estimativa atual é 2,3% maior que o consolidado para o ano anterior.

Em relação ao mix produtivo, a INTL FCStone considera que a relação ficará ainda menos açucareira do que na última revisão, pelo incentivo à produção do biocombustível - mais rentável que o açúcar e recentemente mais consumido por apresentar preços mais atrativos em relação à gasolina.

Com isso, a INTL FCStone reduziu em 0,7 ponto percentual o valor da participação do açúcar no mix produtivo do Centro-Sul brasileiro, para 46,6%, consequentemente reduzindo a produção do adoçante para 35,3 milhões de toneladas, 1% menor que as 35,6 milhões de toneladas produzidas em 2016/17.

Já a previsão para a produção de etanol hidratado aumentou em 4,8% em relação à última revisão, para 14,2 milhões de m³. Ainda assim, essa produção deve ficar 5,6% abaixo da safra 2016/17, quando foram produzidos 15 milhões de m³. A produção de etanol anidro, por sua vez, manteve-se relativamente estável e, na comparação entre as estimativas, houve uma redução de 0,9%.

Expectativas para 2018/19

Na próxima temporada, o clima mais próximo à normalidade – combinado à maior taxa de renovação dos canaviais em 2015 e 2016 – fez a INTL FCStone considerar uma produtividade de cana-de-açúcar 0,3% maior em 2018/19, quando comparada à safra atual. Consequentemente, a moagem deve subir 0,6% na comparação entre as safras e atingir 587,5 milhões de toneladas.

"Quanto à área colhida, ao contrário do recuo de 1,5% projetado para 2017/18, esperamos que esta variável avance 0,3% na próxima safra. Este leve aumento vem em decorrência de uma menor reserva de áreas para reforma de canavial", explica o analista de mercado, João Paulo Botelho. Este primeiro cálculo aponta que cerca de 8,03 milhões de hectares sejam colhidos em 2018/19.

"Cabe ressaltar que a maior umidade decorrente de um clima menos seco tende a reduzir o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) médio das lavouras", alerta. Assim, as expectativas da INTL FCStone apontam para um valor de 135,4 kg/t, 0,5% menor que a projeção do grupo para 2017/18.

O mix produtivo para a próxima safra tende a ser mais alcooleiro. Ainda segundo estimativa da consultoria, o etanol deve ter uma participação de 56% na produção das usinas do Centro-Sul brasileiro.

A produção de etanol deve avançar em 5,1% em 2018/19 em relação à safra atual. Especificamente, o volume de etanol hidratado deve aumentar 8,9% no período, para 15,4 milhões de m³, enquanto o anidro deve tender à estabilidade. A produção de açúcar, por sua vez, deve recuar 5,5% em relação à safra atual e deve atingir 33,3 milhões de toneladas.

"A situação pode mudar caso o preço do açúcar receba algum suporte ao longo dos próximos meses. Além disso, o mix produtivo pode se alterar com o preço do petróleo, uma vez que a elevação na cotação da matéria-prima dá viés altista ao preço da gasolina, tanto no mercado internacional quanto no interno, o que tende a favorecer o consumo de etanol", pondera Botelho.

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