Cana: Safra / Moagem

Datagro reduz previsão de produção de açúcar e espera recorde de etanol em 2018/19


Reuters - 22 ago 2018 - 15:39 - Última atualização em: 23 ago 2018 - 07:33

A produção de açúcar no centro-sul do Brasil deve cair para 27,93 milhões de toneladas na atual safra 2018/19, iniciada em abril, projetou nesta quarta-feira a consultoria Datagro, apesar de certa manutenção no rendimento industrial, já que as usinas continuam a alocar parcela significativa de cana para a fabricação do adoçante.

O volume previsto é inferior aos 28,2 milhões de toneladas considerados anteriormente e também representa queda de 22,5 por cento ante o observado em 2017/18.

"Isso leva em consideração um mix de 37,1 por cento (do total de cana) para o açúcar", comentou o presidente da consultoria, Plinio Nastari, durante teleconferência. Na safra passada, o percentual havia sido de 46,5 por cento para a commodity.

Em contrapartida, a fabricação de etanol no centro-sul deve ir a 30,1 bilhões de litros no ciclo vigente, frente a 28,75 bilhões na previsão anterior, de julho, e 26,09 bilhões em 2017/18.

O setor sucroenergético brasileiro vem impulsionando a produção de etanol em razão da melhor remuneração do biocombustível, dado o forte consumo interno e o derretimento das cotações internacionais do açúcar, que nesta semana atingiram o menor nível em uma década.

Segundo Nastari, o total de matéria-prima destinada à produção de álcool hidratado, usado diretamente nos tanques de veículos, superou o de açúcar pela primeira vez 21 anos.

O presidente da Datagro disse que até o momento usinas fixaram os preços de até 70 por cento da exportação de açúcar em 2018/19. Ele destacou também que o tombo das referências do adoçante na ICE tem sido compensado pela apreciação do dólar ante o real.

"O impacto da queda dos preços em Nova York está sendo mais sentida em outras geografias do que no Brasil, por causa da desvalorização do real", comentou.

Moagem

A Datagro estima processamento de 558,12 milhões de toneladas de cana no centro-sul do Brasil na safra 2018/19, ante 557 milhões na previsão anterior e 596,31 milhões no ano passado.

Na avaliação de Nastari, a seca recente no país tende a ser mais sentida na próxima safra, a 2019/20, uma vez que afetou o desenvolvimento da cana que será colhida só no próximo ano.

Por ora, a estiagem contribuiu para a concentração de sacarose nas plantas. O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) deverá atingir 141,75 kg por tonelada de cana processada em 2018/19, alta de 3,8 por cento na comparação anual.

"A seca nesses últimos seis meses vai impactar mais intensamente a safra que vem do que a safra atual. O menor rendimento agrícola deste ano está sendo compensado por maior conteúdo de açúcar na cana", resumiu Nastari.

Conforme a Datagro, a moagem deve terminar 20,1 dias mais cedo neste ano ante o ano passado em razão do tempo seco. O cálculo foi feito com base em uma amostra de mais de 100 usinas.

Balanço global

A Datagro estimou também um superávit global de 9,39 milhões de toneladas de açúcar na safra 2017/18, que se encerra em setembro, e outro de 6,71 milhões em 2018/19. Anteriormente, as previsões eram de 9,66 milhões e 6,48 milhões, respectivamente.

José Roberto Gomes e Marcelo Teixeira


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