Cana: Safra / Moagem

Datagro prevê queda na produção de cana brasileira na safra 2014/2015


NovaCana - 20 fev 2014 - 16:15 - Última atualização em: 21 fev 2014 - 08:09

A safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil, principal região de cultivo da planta do maior produtor mundial, deve cair na temporada 2014/2015, a qual se inicia em abril, de acordo com a consultoria Datagro.

Os produtores da região devem moer 580 milhões de toneladas de cana e produzir 32,5 milhões de toneladas de açúcar, disse por email o presidente da consultoria situada em Barueri, Plínio Nastari, confirmado a primeira estimativa de safra da empresa, distribuída na terça-feira (18) para os clientes. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o processamento de cana totalizou 596 milhões de toneladas e a produção de açúcar, 34,3 milhões de toneladas, desde o início da temporada 2013/2014 até a segunda metade de janeiro.

Com o tempo seco ameaçando limitar a produção brasileira de cana e seus derivados, os futuros do açúcar bruto negociados em Nova York subiram 10% no último mês. O sudeste brasileiro, onde boa parte da cana é plantada, teve 75 mm de chuvas em janeiro, conforme a Somar Meteorologia, em comparação com uma média histórica de 275 mm.

Perdas na safra também foram previstas pela Macquarie Group, o maior banco de investimentos da Australia, pela trading suíça EcomAgroindustrial Corp. e pela Usina Alta Mogiana, localizada em São Joaquim da Barra, São Paulo. Segundo o relatório enviado pela analista da Macquarie Kona Haque, o Brasil deve colher 585 milhões de toneladas de cana em 2014/2015, produzindo 33,8 milhões de toneladas de açúcar.

Séria preocupação

"A seca levantou a séria preocupação de que a nova safra de cana deve sofrer perdas na produtividade", disse Haque. "O desenvolvimento da cana está mais devagar e há registros de que algumas mudas secaram com o calor e a falta de umidade, ao invés de maturarem".

O tempo seco que atingiu o país fará com que a colheita seja iniciada mais tarde e que a concentração de açúcar na cana caia, afirmou Nastari. De acordo com a Copersucar, a expectativa é que a cana comece a ser colhida duas semanas depois normal.

Os cortes na produção brasileira podem ajudar a levar o mercado global de açúcar para o primeiro déficit em cinco anos. Enquanto a Kingsman estima um excedente de 2,1 milhões de toneladas do produto para os doze meses que se iniciam em 1º de outubro de 2014, a Macquaria prevê um déficit de 1,2 milhão de toneladas.

Devido ao excesso de oferta, os futuros do açúcar bruto tiveram nos últimos três anos a maior queda em mais de duas décadas. Conforme dados da Bloomberg, um quarto ano de perdas significaria a maior queda desde 1965.

Isis Almeida (Bloomberg)
Tradução e adaptação: Vivian Faria – novaCana.com