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Cana: Safra / Moagem

Consultorias indicam que usinas do Centro-Sul vão estender a safra 2019/20

Mesmo com maior moagem na comparação com 2018/19, produtividade segue em baixa


novaCana.com - 17 set 2019 - 15:47

Em uma discussão sobre as previsões para a moagem final da safra 2019/20 durante a NovaCana Ethanol Conference 2019, o analista de mercado da Agroconsult, Fabio Meneghin, comentou que algumas usinas do Centro-Sul já estão se preparando para estender a safra até o natal.

Trazendo dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o analista espera que haja um incremento nas chuvas entre o fim de setembro e o fim de novembro, o que pode influenciar positivamente a moagem e a duração da safra. A consultoria indica uma previsão média de 585 milhões de toneladas totais.

Inclusive, essa mesma precipitação esperada para os meses da primavera é o que recuperaria o volume de cana para a safra 2020/21, talvez com influência positiva na produtividade. Para a safra vigente, por outro lado, o consultor afirma que a produtividade seguirá baixa.

João Paulo Botelho, especialista em inteligência de mercado da INTL FCStone, concorda com a expectativa de que a safra seja estendida até mais próximo da virada do ano, considerando que os meteorologistas estejam corretos na previsão de mais precipitações. Na opinião da consultoria, é possível que a moagem final da safra 2019/20 chegue até as 590 milhões de toneladas – número máximo estimado pela Agroconsult.

O que ambos os analistas comentam é que, por mais que possa haver um incremento na moagem em relação a 2018/19 – que encerrou com 573,1 milhões de toneladas, de acordo com os dados da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) –, a queda na quantidade de açúcar total recuperável é muito significativa.

“Tivemos geada este ano em dois momentos distintos, provocando um florescimento antecipado da cana e contribuindo para a queda do ATR. Ainda iremos moer cana com flor até o final desta safra”, afirma Meneghin. De acordo com os dados da consultoria, o setor tem um problema no fato de que a oferta de ATR não cresceu nos últimos cinco anos.

Botelho concorda, explicando que, por mais que mais cana seja moída ainda nesta safra, ela terá pouco ATR, de modo que o resultado deve ser muito próximo ao da temporada anterior. “O principal determinante do que está sendo produzido no Centro-Sul não é a quantidade de cana e, sim, o ATR”, garante.

Por sua vez, o analista da Safras & Mercado, Maurício Muruci, entende que as geadas tenham influenciado negativamente no resultado da safra, com uma grande redução no ATR. “Nossa expectativa é que as geadas gerem uma quebra de 2 milhões de toneladas na atual safra e que isso tenha impacto na próxima temporada”, afirma.

De acordo com ele, ainda é possível que as chuvas previstas para os próximos meses compensem as intempéries observadas nos meses de julho e agosto. Porém, se houver um aumento na moagem, ele será apenas moderado.

Rafaella Coury – novaCana.com