Cana: Safra / Moagem

Clima seco limita moagem de cana no Norte-Nordeste do Brasil, diz FCStone

Região deve processar mais cana-de-açúcar em relação à safra 2017/18, mas avanço é reduzido pela falta de chuvas


INTL FCStone - 06 ago 2018 - 10:06

Com o aumento no plantio de cana-de-açúcar nos principais estados produtores do Nordeste brasileiro no ano passado e o clima chuvoso registrado nos primeiros quatro meses do ano favorecendo novos canaviais, a INTL FCStone estima incremento na oferta de cana para a safra 2018/19 no Norte-Nordeste do Brasil. Com avanço de 2,8% em relação à safra 2017/18, a consultoria calcula processamento de 46,5 milhões de toneladas de cana no ciclo atual.

estimativa norte nordeste fcstone 060818

“Este volume, mesmo que seja maior que as duas últimas safras, ainda está significativamente abaixo do que a região processou de cana entre 2005 e 2014, período no qual moagem variou entre 55 e 70 milhões de toneladas”, explica o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho.

Mesmo que as chuvas tenham ficada significativamente abaixo da média desde maio, os volumes acumulados desde o começo do ano suavizaram o impacto sobre a umidade do solo e, consequentemente, sobre a produtividade agrícola. Ainda assim, o risco de quebra não está fora do radar na região.

“Com precipitação acumulada no ano 22,7% abaixo da média dos últimos 10 anos e redução de mais de 55% nos últimos 3 meses, é possível que a queda na umidade dos solos se acelere a partir de agora, aumentando o stress hídrico das lavouras, a depender das chuvas e temperaturas que serão registradas nas próximas semanas”, avalia o analista Botelho.

Ao mesmo tempo em que pode prejudicar o desenvolvimento dos canaviais, o clima seco tem impacto positivo sobre a concentração de açúcares na cana. Considerando a precipitação abaixo da média nos últimos meses e a tendência sazonal de redução nas chuvas para os próximos meses, a INTL FCStone estima que o Açúcar Total Recuperável (ATR) médio apresente alta de 1,6% na comparação com a safra passada, para 129,3 Kg/t. Este aumento, entretanto, ainda indicaria uma qualidade da matéria-prima abaixo da safra 2016/17.

Em relação aos produtos da cana, o grupo estima mix açucareiro na região em 43,5%, 3,1 pontos percentuais abaixo da safra passada e o menor nível da série histórica. Se concretizado, este mix levaria à produção de 2,5 milhões de toneladas de açúcar na região, 2,6% abaixo da safra 2017/18 e o menor patamar desde a temporada 1999/2000.

Mesmo que as usinas da região Nordeste dependam menos da exportação de açúcar que suas contrapartes no Centro-Sul do Brasil, a queda no preço do produto no mercado internacional também afeta diretamente a tomada de decisão pelas empresas nordestinas. “Esta queda foi resultado das expectativas de amplo superávit global de açúcar na safra 2017/18, que deve ser seguido por novo excedente no ciclo seguinte, ambos resultados de produção acima das máximas históricas em Índia e Tailândia, além de recuperação na produção europeia”, reportou o grupo, em nota.

Com 56,5% da matéria-prima direcionada para a produção de etanol, a tendência é que o hidratado aumente significativamente sua participação, uma vez que a maior oferta do biocombustível tende a aumentar a procura pelo mesmo nos postos. “O baixo crescimento da demanda por combustíveis do ciclo Otto notada ao longo dos últimos anos e a perspectiva incerta para a economia brasileira para os próximos meses nos leva a crer que não há espaço para aumento na demanda por gasolina na região”, explica João Paulo Botelho, em relatório.

Ainda de acordo a INTL FCStone, a produção de etanol deve ficar dividida em 931 milhões de litros de anidro e 1,05 bilhão de litros de hidratado. No caso do primeiro, o volume representa uma queda de 1,8% na comparação com 2017/18, enquanto para o segundo é esperado aumento de 24,9% no volume produzido.


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