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Cana: Safra / Moagem

Os canaviais mais produtivos e improdutivos de 2017 – ranking por municípios

Enquanto a área colhida se mantém praticamente estável, a produtividade média do país reduziu entre os dois últimos anos, evidenciando as dificuldades dos produtores em investir nos canaviais


novaCana.com - 24 out 2018 - 10:56 - Última atualização em: 05 set 2019 - 15:20

O rendimento agrícola dos canaviais depende amplamente do investimento em renovação, do uso de tecnologias no campo e do plantio de qualidades de cana-de-açúcar mais produtivas e adequadas para cada tipo de solo e clima. Assim, a dificuldade das usinas em aplicar essas possibilidades em seu modo de operação gera um índice de produtividade cada vez mais baixo.

O agravante é que, como a expansão de área canavieira tem sofrido poucas alterações nos últimos anos, o indicativo do crescimento do setor recai sobre a produtividade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a área plantada de cana no Brasil se manteve praticamente estável no comparativo entre 2016 e 2017, passando de 10,22 milhões de hectares para 10,18 milhões de hectares.

De janeiro a dezembro de 2017, a média nacional de produtividade foi de 74,48 toneladas por hectare. O índice é inferior ao da leve recuperação em 2016, com 75,18 t/ha. O novo decréscimo distancia ainda mais o indicador das 80,27 t/ha alcançadas em 2009.

Nem mesmo São Paulo, o estado mais produtivo do país, consegue alcançar a média recorde – em 2017, o rendimento foi de 79,21 t/ha. Após a região paulista, que aumentou o indicador em 1,84% na comparação anual, Goiás possui o segundo melhor desempenho do Brasil, com 77,36 t/ha. O estado subiu duas posições em relação a 2016, quanto teve produtividade de 76,30 t/ha (+0,46%). Já em Minas Gerais, o indicador foi de 76,90 t/ha em 2017, representando um decréscimo de 0,3% frente ao ano anterior e mantendo a terceira posição.

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Mato Grosso do Sul sofreu uma queda considerável na produtividade entre os dois anos, passando de 78,88 t/ha para 70,9 t/ha (-9,2%), caindo de segundo para quarto lugar no ranking dos estados. O Paraná permanece em quinto, mas com o indicador ainda mais baixo e o maior percentual de redução dos cinco primeiros – o decréscimo foi de 14,25%, de 72,99 t/ha para 66,28 t/ha.

Já o estado mais improdutivo do país foi Roraima, com 12,5 t/ha. A unidade federativa está em último lugar no ranking desde 2014.

Os dados do IBGE se referem à produção de cana-de-açúcar no período de janeiro a dezembro e englobam outros fins, além da produção de açúcar e etanol, como a fabricação de bebidas.

As cidades com os canaviais mais produtivos

Desconsiderando as cidades que produziram menos de 300 mil toneladas de cana em 2017, 23 municípios atingiram mais de 100 t/ha – indicando uma produtividade elevada. Juntos, eles correspondem a 3,16% da produção nacional.

Em 2016, 22 municípios ultrapassaram essa marca e, em 2015, 19. Ou seja, ao longo dos últimos anos, houve uma melhora localizada de produtividade.

Vargem Grande do Sul, Uru e Urânia, todos municípios paulistas, são os primeiros do ranking nacional de produtividade, com rendimento de 120 t/ha e produções de 858 mil, 450,95 mil e 384,48 mil toneladas, respectivamente. O município goiano de Jataí também teve rendimento de 120 t/ha, com produção de 2,88 milhões de toneladas. Em seguida, Uchoa (SP) e Cordeirópolis (SP) renderam 110 t/ha.

 

As quatro primeiras cidades se mantêm estáveis desde 2016. Jataí, por sua vez, se destacou apenas em 2012, com um rendimento de 130 t/ha. Já Ibirema (SP), que, em 2016, rendeu 65 t/ha, registrou um considerável aumento para 100 t/ha no ano seguinte.

No ranking das 100 cidades mais produtivas do Brasil, 70 são paulistas, 12 goianas, nove mineiras, seis paranaenses, duas sul-mato-grossenses e uma baiana.

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Rendimento x volume de cana produzido

Nenhuma das cinco cidades que mais produzem cana-de-açúcar no país está bem posicionada no ranking de produtividade. Morro Agudo (SP) ocupa o 161º lugar, Rio Brilhante (MS) está em 146º, Uberaba (MG), em 47º, Quirinópolis (GO), em 158º e Barretos (SP), em 48º.

Destas, Uberaba e Barretos empatam com produtividade de 90 t/ha. Rio Brilhante, que foi a mais produtiva do grupo em 2016, com 91,4 t/ha, caiu para terceiro lugar chegando a 84,2 t/ha. Já Quirinópolis subiu de quinto para quarto lugar, com 82,9 t/ha.

Por fim, Morro Agudo – a maior produtora nacional de cana em 2017 – passou de quarto para quinto lugar, com 82 t/ha.

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Os canaviais mais improdutivos do Brasil

Sem considerar os municípios com produção inferior a 300 mil toneladas de cana, 86 cidades tiveram rendimento abaixo de 60 ton/ha em 2017. Esse número subiu em relação a 2016, quando 65 cidades tiveram menor produção.

Dentre os mais de 500 municípios que fazem parte da seleção, com produção superior a 300 mil toneladas em 2017, 347 são de São Paulo, 50 do Paraná, 49 de Goiás e 44 de Minas Gerais. Neste recorte, o com pior rendimento agrícola foi Ribeirão (PE), com 30,57 t/ha. Outras duas cidades pernambucanas também tiverem rendimentos inferiores a 40 t/ha em 2017: Gameleira (38,15 t/ha) e Palmares (39,70 t/ha).

Já na região Centro-Sul, Campo dos Goytacazes (RJ) teve o pior rendimento, com 40 t/ha. Em seguida, a cidade mato-grossense Narivaí registrou 43,55 t/ha.

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O estado com mais cidades com baixo rendimento, conforme o filtro utilizado, é o Paraná, com sete – Ivaté, Umuarama, Icaraíma, Guairaçá, Rondon, Cruzeiro do Oeste e Presidente Castelo Branco. Esse dado corrobora com a produtividade estagnada do estado, verificada pelo dossiê publicado em setembro pelo novaCana.

Já Pernambuco possui seis cidades entre as com menores rendimentos: além das três já citadas, Paudalho, Escada e Iguassu aumentam a lista.

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Gabrielle Rumor Koster – novaCana.com