Cana: Safra / Moagem

Brasil precisa dobrar produção de cana para atender demanda prevista em 2020


Agrodebate - 26 nov 2012 - 09:06
eduardo leao-unica-261112
O Brasil precisa dobrar a atual produção de cana-de-açúcar, que no ciclo 2011/2012 foi de 560 milhões de toneladas, para atender a demanda prevista para 2020, que deve chegar a 1,2 bilhão de toneladas de matéria-prima. A informação foi apresentada nesta terça-feira (23) pelo diretor executivo da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão, durante palestra no 6º Congresso da Cana de Mato Grosso do Sul (Canasul), em Dourados.

Segundo Leão, a necessidade de um maior volume de cana vai decorrer do aumento do consumo dos produtos fabricados a partir dela. A frota de veículos flex, os que utilizam gasolina e etanol, por exemplo, deve passar dos atuais 51% para 81%, no caso dos carros, e de 11% pode chegar até 61% no caso das motocicletas. Além disso, existe a perspectiva de crescimento de 4,5% ao ano do consumo nacional de eletricidade e o setor tem um potencial previsto para os próximos sete anos de geração de 15.287 MW médios, o equivalente a três usinas de Belo Monte.

O diretor da Unica aponta ainda que para suprir o mercado doméstico do açúcar e manter 50% de participação no mercado mundial do alimento, o setor sucroenergético brasileiro terá de ampliar sua produção até 2020 em 15,7 milhões de toneladas, saindo das 35,3 milhões de toneladas do ciclo passado e chegando a 51,1 milhões de toneladas.

"Além disso, se projeta o aumento da demanda de cana para a fabricação de outros produtos, como o plástico verde, o diesel de cana, o querosene de aviação de cana, a gasolina de cana e a ampliação do seu uso em produtos cosméticos. Também existe uma grande perspectiva da internacionalização do etanol, principalmente para os Estados Unidos, que tem uma grande demanda".

Entretanto, Leão diz que, apesar dessa grande perspectiva, tanto no mercado interno quanto no externo o setor no País enfrenta uma grande crise, com desaceleração do crescimento desde 2009 e fechamento de cerca de 10% das plantas do seu parque industrial. "Somente para atender a demanda prevista, precisaríamos de 120 usinas novas, mas até 2015 temos a previsão de construção de apenas mais quatro usinas. E qual o principal motivo dessa crise? O setor perdeu rentabilidade. O custo de produção aumentou e a receita caiu", afirmou.

Para que o setor recupere rentabilidade, o diretor da Unica aponta uma série de medidas, entre as quais: planejamento estratégico da matriz energética, com metas de participação do etanol; desoneração tributária do biocombustível; transparência na formação do preço da gasolina, que atualmente está "quase que congelado" no País; o estabelecimento de políticas públicas que reconheçam os ganhos ambientais, sociais e econômicos do etanol e incentivos a projetos de novas usinas, de bioeletricidade e de inovação tecnológica no setor.

Anderson Viegas

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