Cana: Safra / Moagem

Balanço da safra 2019/20 indica expectativa de produção recorde de etanol no Centro-Sul

Informações foram divulgadas pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) hoje (17), em sua coletiva de final de ano


Unica - 17 dez 2019 - 11:59

Dados apurados até o momento confirmam a expectativa de maior moagem de cana-de-açúcar na safra 2019/20 no Centro-Sul do país, conforme informações divulgadas pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) hoje (17), em sua coletiva de final de ano.

Até 1º de dezembro, a quantidade de matéria-prima processada pelas unidades produtoras atingiu 575,29 milhões de toneladas. O valor esperado para o final do ciclo agrícola 2019/20 é de 590 milhões de toneladas, com crescimento de 2,9% em relação aos 573,17 milhões processados na safra 2018/19.

Apesar da redução esperada na área colhida com cana-de-açúcar até o final do ciclo 2019/20 (queda em torno de 2%), o aumento da moagem deve ocorrer em função da maior produtividade agrícola da lavoura, promovida especialmente pelas condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da planta.

De acordo com os dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade da área colhida até o final de novembro apresentou crescimento de 4,20%, atingindo 76,39 toneladas por hectare no atual ciclo agrícola ante 73,31 toneladas de cana-de-açúcar por hectare na safra 2018/2019.

Qualidade da matéria-prima

A maior concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima nas últimas quinzenas exigiu uma revisão nos valores esperados para a safra 2019/20.

No acumulado desde o início do atual ciclo até 1º dezembro, o indicador atingiu 139,22 kg por tonelada de cana-de-açúcar, ante 138,95 kg observados no mesmo período em 2018.

A expectativa diante das informações disponíveis é de que a quantidade de ATR totalize 138,50 kg, com ligeiro aumento na comparação com o valor registrado na temporada 2018/19 (137,88 kg por tonelada).

Produção de etanol e de açúcar

A Unica estima que 34,29% da cana-de-açúcar processada na safra 2019/20 será destinada à produção de açúcar, ante 35,21% observados no ciclo anterior.

Diante do mix de produção mais alcooleiro, a produção de açúcar esperada para o final da safra é de 26,70 milhões de toneladas, alta de apenas 0,72% sobre a oferta registrada em 2018/2019.

Portanto, apesar do aumento da moagem de cana-de-açúcar em quase 17 milhões de toneladas, a produção de açúcar deve apresentar crescimento inferior a 200 mil toneladas.

Em sentido contrário, a produção de etanol deve atingir um valor recorde no atual ciclo agrícola: 33,1 bilhões de litros. Trata-se de uma expansão de 7,1% comparativamente ao volume observado na temporada passada (30,95 bilhões de litros). Deste valor, projeta-se que 9,72 bilhões de litros correspondem ao etanol anidro e 23,42 bilhões de litros ao etanol hidratado.

A produção de etanol a partir do milho, por sua vez, deve representar 1,50 bilhão de litros do total produzido no Centro-Sul na safra 2019/20. Trata-se de um incremento próximo a 90% em relação ao volume fabricado no último ano agrícola (791,43 milhões de litros).

Para 2020, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registra expansão de capacidade diária próxima de 6 milhões de litros de etanol. Esse montante equivale a quase 1 milhão de toneladas de açúcar em termos de produção efetiva e deve viabilizar uma maior alteração no mix de produção caso as condições de mercado sejam favoráveis para o biocombustível.

A expansão da capacidade de fabricação do biocombustível está alinhada com a necessidade de maior oferta nos próximos anos para atendimento das metas de descarbonização da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).

Mercado de etanol

O aumento da produção de etanol permitirá um incremento de 2,7 bilhões de litros na oferta do produto ao mercado brasileiro nesta safra em relação ao volume observado no ciclo 2018/2019.

A expectativa é de que as vendas do biocombustível no mercado doméstico alcancem 33,5 bilhões de litros, sendo 10,3 bilhões de etanol anidro e 23,2 bilhões de litros de etanol hidratado.

Com isso, a participação volumétrica do etanol no consumo total de combustíveis líquidos leves deve alcançar 61,5% na safra 2019/2020. Considerando a conversão do volume de etanol hidratado em gasolina equivalente, a participação do etanol atinge quase 50%.

O maior consumo do biocombustível gerou economia de R$ 3,4 bilhões aos consumidores brasileiros em 2019 e redução de 80 milhões de toneladas de CO2eq nas emissões de gases de efeito estufa.

O menor gasto com combustíveis proporcionado pela presença do etanol no mercado doméstico permitiu a ampliação do dispêndio com outros produtos e serviços, garantindo ativação dos demais setores da economia.

Em relação ao mercado externo de etanol, a expectativa é de o País continue superavitário, com as exportações atingindo 1,6 bilhão de litros e as importações 1,25 bilhão de litros no ciclo 2019/2020.

Bioeletricidade

A geração de bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar para a rede deve chegar a 22 mil GWh em 2019, crescimento de 2% em relação a 2018, atingindo a participação de 4,6% no consumo nacional de eletricidade. Em São Paulo, em cerca de 94 usinas, estão distribuídas 166 UTE para produção de energia elétrica para exportar para a rede.

Observamos praticamente uma estagnação na geração para a rede desde 2014 pelos seguintes motivos: ajuste no perfil de alavancagem e de endividamento do setor; redução da demanda a contratar nos leilões regulados e pouco espaço dado à bioeletricidade; judicialização no Mercado de Curto Prazo, que desestimulou a capacidade de geração responder ao preço de curto prazo; necessidade de aprimoramento na metodologia de revisão extraordinária da Garantia Física das usinas à biomassa dando liberdade para venda no mercado livre.

Mesmo com essas adversidades, os 22 mil GWh gerados para a rede em 2019 são equivalentes a ter poupado 15 pontos percentuais da energia armazenada nos reservatórios das hidrelétricas no submercado Sudeste/Centro-Oeste; atendido quase 12 milhões de residências ou 5% do consumo nacional; e reduzido as emissões de CO2 em 7,4 milhões de toneladas.

Além da sustentabilidade inerente à fonte biomassa, a energia ofertada pelo setor ocorre em grande parte quando a bandeira tarifária da energia elétrica estava amarela ou vermelha, ajudando a poupar os reservatórios na época de seca.

O mapeamento da Oferta Interna de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia aponta que a biomassa fica na 2ª posição entre as principais fontes, considerando a soma estimada de geração para a rede e para o autoconsumo nas usinas (Hidro: 67,5% / Biomassa em geral: 8,4% / Eólica: 8,3% / Gás Natural: 7,8%).