Cana: Plantio

Vinhaça reduz custos com adubos nos canaviais


Jornal Agora MS e G1 MS - 28 jan 2013 - 14:49 - Última atualização em: 08 fev 2013 - 14:03

A vinhaça, líquido que antes era resíduo da produção da cana, é hoje adubo natural dos canaviais. Conforme o professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Laércio Alves de Carvalho, que esteve nesta quarta-feira no Showtec 2013, quando aplicado corretamente, a vinhaça dá um ganho de 30 toneladas na produção.

O ideal, conforme o pesquisador, que foi um dos palestrantes da Mostra de Tecnologias sobre Cana-de-açúcar, é que a aplicação da vinhaça, para garantir o aumento da produtividade, precisa ser superior a 150 metros cúbicos por hectare plantada.

"Quando feito de forma correta, a vinhaça aumenta o valor fertilizante e diminui o custo da atividade. Mas se feito de forma incorreta, pode trazer problemas ambientais", apontou, informando que existem legislações claras para combater esses problemas.

O professor que também é coordenador do Grupo de Estudos da Cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul – Geca-MS – frisou ainda que no estado, as 24 usinas usam a legislação de São Paulo, bem como as exigência do EIA-RIMA – Estudo de Impacto Ambiental. "As usinas utilizam corretamente a vinhaça e cumprem a norma", defendeu.

Uma proposta para o monitoramento da vinhaça em Mato Grosso do Sul será formulada e entregue para a associação que representa as usinas no Estado e para o governo estadual.

Pesquisador propõe lei para uso da vinhaça nos canaviais de MS

A produção de cana-de-açúcar deve crescer 9,6% em Mato Grosso do Sul na safra 2012/2013 e chegar a produção estimada de 37 milhões de toneladas, segundo dados da Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado (Biosul). O total mantém o estado posição de quinto maior produtor nacional da cultura.

Mato Groso do Sul ainda não tem nenhuma legislação específica sobre o uso da vinhaça, o produto que sobra do processamento da cana na fabricação do etanol e do açúcar e que em razão de sua alta concentração de potássio e nitrogênio é utilizado para fertirrigar (adubar) os canaviais das próprias usinas.

Em razão disso, o engenheiro agrônomo e pesquisador da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Laércio Alves de Carvalho, apresentou durante a feira de agrotecnologia Showtec, em Maracaju, a 162 quilômetros de Campo Grande, a proposta de criação de um programa estadual de monitoramento da vinhaça, que foi chamado de Promavi-MS.

Atualmente, segundo o pesquisador, as empresas somente podem fazer a fertirrigação mediante aprovação pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e da análise de risco das usinas.

Carvalho aponta ainda que o procedimento também tem de se enquadrar na resolução 36/2012 do Conselho Estadual de Controle Ambiental (CECA-MS), que trata da classificação dos corpos de água superficiais e também estabelece as diretrizes e padrões para o lançamento de efluentes no Estado.

Como essa legislação não é específica para a vinhaça, o agrônomo explica que as usinas instaladas em Mato Grosso do Sul utilizam também como referência no procedimento a norma técnica P4.231/2006, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb).

"Não se pode de maneira alguma dizer que a aplicação da vinhaça ocorre de qualquer forma no Estado. Existe uma legislação e um parâmetro, e que são respeitados pelas usinas. O que queremos ao propor o programa é ter uma legislação específica, do estado, para tratar deste assunto", detalhou.

De acordo com Carvalho, o programa geraria subsídios para amparar uma lei estadual sobre armazenamento, distribuição e aplicação da vinhaça.  Ele explica que por meio da iniciativa poderia se definir, por exemplo, a dosagem máxima do produto para cada classe de solo e ainda desenvolver estudos para determinar as necessidades nutricionais da cultura em diferentes regiões do estado.

Anderson Viegas