BASF
Cana: Plantio

Produtor de São Paulo combate cana com valor agregado


Folha de S. Paulo - 02 out 2018 - 08:38 - Última atualização em: 03 out 2018 - 07:06

A agropecuária do nordeste do estado de São Paulo mudou muito nos últimos 30 anos. A cana avançou e tomou lugar de parte das pastagens, das lavouras de grãos e dos laranjais.

As culturas que perderam espaço, porém, se ajustaram e buscam mudanças que tragam uma remuneração melhor do que a da cana.

É o que mostra estudo da Embrapa Territorial, que comparou imagens de satélites de 1988 e de 2016 de 125 municípios da região, englobando uma área de 52 mil km².

Essa agregação de valor vem tanto das lavouras anuais concentradas nas áreas irrigadas das regiões de Guaíra e de Casa Branca como dos confinamentos e semiconfinamentos bovinos.

Além disso, a mudança no manejo na citricultura trouxe maior produtividade ao setor.

fsp percentual 1998

fsp percentual 2018

Para Carlos Cesar Ronquim, pesquisador responsável pelo estudo feito pela Embrapa Territorial, a irrigação permite ao produtor obter até três safras por ano.

Uma delas é dedicada à produção do milho verde para o consumo humano. Esse milho é encaminhado às indústrias ou aos centros de abastecimento da cidade de São Paulo e do interior.

O milho verde é mais rentável do que o seco, destinado praticamente para a ração animal e produzido em larga escala no Centro-Oeste.

As culturas irrigadas ocupam uma área de 69 mil hectares na região nordeste do estado e a safra de milho é sucedida pela de feijão e, na sequência, vem a da batata.

O estudo da Embrapa aponta que o setor de grãos, que ocupava área de 936 mil hectares em 1998, tinha apenas 352 mil em 2016. No mesmo período, as pastagens perderam 700 mil hectares e a área de cítricos, 180 mil.

Já o grande avanço nessas áreas cultiváveis do nordeste do estado veio da cana-de-açúcar. A atividade incorporou 1,3 milhão de hectares no período e atualmente detém 44% das terras do nordeste paulista.

O cultivo da cana, por causa da renovação cíclica de parte das áreas plantadas, permite também um avanço das culturas de grãos.

fsp area 1998

fsp area 2018

Entre essas culturas estão as de soja e de amendoim. Neste último caso, a renovação dos canaviais garante à região do estado a liderança nacional em produção.

As imagens de satélites apontaram também que houve grande avanço das matas nativas, que em 2016 ocupavam 1 milhão de hectares, 15% mais do que em 1988.

Ronquim diz que esse aumento das matas nativas ocorreu por regeneração espontânea. São áreas de topo de morro e de declividade que dificultam o cultivo agrícola.

O café também teve grande avanço no nordeste paulista nas últimas décadas. A cultura dobrou de área, para 123 mil hectares, e os produtores se dedicaram à produção de cafés de qualidade.