Cana: Plantio

Bunge: produção de cana chega ao Tocantins com irrigação


Folha de S. Paulo - 02 jan 2013 - 17:10
Usina de etanol e açúcar da Bunge em Tocantins
Os agricultores de Pedro Afonso (TO) ganharam mais uma opção de renda com a chegada da primeira usina de açúcar e álcool à região.

O projeto da Bunge, inaugurado em 2011, é um marco não só para o pequeno município, mas também para a região Norte, que pode ser tão atrativa quanto o Sudeste para investimentos do setor.

"Há uma vantagem competitiva de produzir etanol na região", diz Ricardo Santos, vice-presidente de Açúcar e Bioenergia da Bunge.

Para abastecer o Norte e o Nordeste, é mais barato produzir álcool em Pedro Afonso do que levar o etanol feito no Sudeste para a região.

Segundo ele, a topografia da região é "extremamente favorável" à produção de cana, permitindo que 100% da colheita seja mecanizada.

Para obter boa produtividade, a multinacional investiu em variedades específicas e na implantação de um grande pivô de irrigação, com raio de 1.300 metros, atingindo área superior a 500 hectares.

Cerca de R$ 600 milhões foram investidos na unidade.

Com o canavial próprio formado, a empresa busca parceiros no fornecimento de cana. No ano passado, apenas um produtor vendeu cana à Bunge. Neste ano, foram dez.

"Por causa da cana, a área de grãos dos nossos cooperados caiu de 33,5 mil hectares, na safra 2007/08, para 22 mil hectares neste ano", diz Ricardo Khouri, presidente da Coapa (Cooperativa Agroindustrial do Tocantins).

"Para os produtores é bom, mais uma opção de diversificação", diz Moacir Catabriga, que plantou o seu primeiro canavial no ano passado.

Segundo ele, o excesso de chuvas durante o plantio prejudicou o rendimento. "Mas, economicamente, o resultado foi superior ao da soja devido ao baixo custo do transporte", diz. A fazenda de Catabriga está a apenas quatro quilômetros da usina.

Bem-vinda por alguns, a cana enfrenta resistência dos produtores mais antigos. "Ainda não tive coragem de passar para a cana", diz José Edgar Andrade, que chegou ao município em 1971.

Ao substituir a soja por cana, que precisa de menos acompanhamento, ele teme se afastar do dia a dia do campo.

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