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Pecege faz previsões de preço e custos de produção para a região Nordeste

No evento Expedição Custos Cana, instituto definiu os principais números para a safra nordestina

NovaCana 9 min de leitura

Em termos de resultados econômicos, a safra 2020/21 foi positiva para a região Nordeste, com os produtores conseguindo extrair uma margem de lucro em torno de R$ 40 reais por tonelada de cana-de-açúcar plantada na temporada. O valor foi calculado pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) e apresentado durante o evento Expedição Custos Cana.

Assim, mesmo com patamares de produções menores do que os vistos no Centro-Sul, o Nordeste conseguiu manter uma boa produção, já iniciando a safra com um mix mais alcooleiro.

O professor e gestor de projetos do Pecege, João Rosa, trouxe detalhes sobre o desempenho da safra da região quanto a custos de produção, considerando suas características específicas de processamento de cana e volume.

O instituto também fez projeções de preço para o açúcar e o etanol, ilustradas pelo analista econômico Raphael Delloiagono. Segundo ele, a variação de preço dos produtos nordestinos pode alcançar até 40% em comparação com a safra passada.

Confira na reportagem completa, exclusiva para assinantes, as principais projeções de preço para o açúcar e o etanol na região Nordeste, assim como os custos vistos na última safra, terminada em agosto deste ano.

Em termos de resultados econômicos, a safra 2020/21 foi positiva para a região Nordeste, com os produtores conseguindo extrair uma margem de lucro em torno de R$ 40 reais por tonelada de cana-de-açúcar plantada na temporada. O valor foi calculado pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) e apresentado durante o evento Expedição Custos Cana.

Assim, mesmo com patamares de produções menores do que os vistos no Centro-Sul, o Nordeste conseguiu manter uma boa produção, já iniciando a safra com um mix mais alcooleiro.

O professor e gestor de projetos do Pecege, João Rosa, trouxe detalhes sobre o desempenho da safra da região quanto a custos de produção, considerando suas características específicas de processamento de cana e volume.

O instituto também fez projeções de preço para o açúcar e o etanol, ilustradas pelo analista econômico Raphael Delloiagono. Segundo ele, a variação de preço dos produtos nordestinos pode alcançar até 40% em comparação com a safra passada.

Projeções de preço para o açúcar

Delloiagono explica que o mercado de açúcar teve uma valorização importante ao longo de 2020. A partir de março, com o início da pandemia, houve aumentos constantes e o adoçante saiu de um patamar de 9 centavos de dólar por libra-peso para 21 centavos de dólar por libra-peso em outubro.

As projeções do Pecege, considerando os contratos futuros da commodity, denotam que esse preço pode se estabilizar. Entretanto, ele deve se manter em patamares mais elevados nos meses seguintes, podendo cair gradualmente com o avanço da safra atual.

“O próximo contrato futuro do açúcar está sendo negociado a 20 centavos de dólar por libra-peso e deve seguir assim pelo menos até março ou abril do próximo ano, caindo a partir disso”, afirma Delloiagono.

O preço FOB (free on board) praticado nos portos do Brasil também teve crescimentos consistentes a partir da constatação da pandemia, alcançando R$ 2.395,28 por tonelada. O analista destaca que, neste índice, é importante considerar a desvalorização cambial, uma vez que a negociação em dólares e a taxa de câmbio acabam influenciando a comercialização do produto.

Assim, o adoçante tende a se manter valorizado, com uma queda gradual até o final da temporada. Segundo o Pecege, a taxa de câmbio ainda irá impactar tanto o mercado de açúcar cristal voltado para consumo interno quanto o VHP, para exportação. Considerando Alagoas, Pernambuco e Paraíba, principais produtores da região, a previsão é que os preços médios do açúcar cristal fiquem entre R$ 119,55 e R$ 143,79 por saca de 50 quilos, com uma variação de cerca de 40% nos três estados.

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Por sua vez, o açúcar VHP também deve permanecer nos níveis atuais, de forma mais constante do que o cristal. Com uma evolução entre 20% e 28%, o preço deve se manter acima dos R$ 100 por saca nos principais estados produtores.

Estimativas de valor para o etanol

Já em relação ao etanol, Delloiagono explica que é necessário levar em conta os valores relacionados ao petróleo e também a taxa de câmbio, que influenciam os preços e projeções para o biocombustível. De forma contrária ao que aconteceu com o açúcar, a pandemia levou a uma queda de preço do petróleo, passando de US$ 70 o barril para US$ 16 o barril.

Com a volta das atividades econômicas e o avanço nas campanhas de vacinação, os preços do fóssil foram se recuperando. Ainda assim, a taxa de câmbio se manteve nos patamares mais elevados, como visto no começo da pandemia, ficando em cerca de R$ 5,50. “É uma diferença importante e que acaba sendo determinante no valor pago pelo combustível, pois reflete no preço do etanol praticado internamente”, explica Delloiagono.

De acordo com o Pecege, nos três principais estados produtores da região Nordeste, assim como no mercado de combustíveis como um todo, o preço do biocombustível anidro, a ser adicionado à gasolina, deve seguir aumentando. Comparando os valores da safra anterior e a que se iniciou em setembro, a variação deve ficar por volta de 40%.

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Já o etanol hidratado, concorrente direto do combustível fóssil, deve aumentar a partir do próximo ano, com variações de pelo menos 35% em comparação com a safra passada. De acordo com o Pecege, os preços médios podem oscilar entre R$ 3,21 por litro na Paraíba e R$ 3,68/L em Pernambuco.

Custos de produção

Para definir os custos totais de produção no Nordeste durante a última safra, o Pecege considerou as principais etapas do processo, ponderando em função da produtividade dos canaviais.

Em 2020/21, o custo operacional médio destas usinas foi de R$ 117 por tonelada. Deste total, 65% representam gastos com tratos culturais de cana soca e colheita, que são, de acordo com João Rosa, as principais fases produtivas.

Além disso, adicionando os valores referentes a depreciação e custos de capital, o gasto total de produção chega a R$ 132/t.

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Já em relação aos custos industriais, a operação custou R$ 31,80/t. Neste caso, são somados gastos como mão-de-obra, insumos, manutenção do canavial e despesas industriais.

Desta forma, considerando todos os gastos de produção e administração do canavial, o custo total na safra foi de R$ 187,61/t. Do montante, a maior parte se refere à matéria-prima, R$ 155,70/t.

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Em comparação com a região Centro-Sul, Rosa afirma que é mais caro produzir no Nordeste. Entretanto, quando são analisadas as margens de lucro sobre o açúcar e o etanol, as usinas também têm uma receita por tonelada mais significativa. Isso se deve principalmente devido ao preço atual do adoçante. “No Nordeste, como você tem uma concentração maior de açúcar, cerca de dois terços, você consegue ter uma receita maior pela mesma tonelada de cana”, explica Rosa.

No que se refere ao RenovaBio, ele relata que a receita bruta foi de R$ 37,11 por crédito de descarbonização (CBio), totalizando um lucro para o produtor de R$ 20,77 por título. Rosa, entretanto, aponta que os números do Nordeste ainda são tímidos, uma vez que apenas um terço da produção da região pode ser certificada no programa.

Perspectivas para a safra atual

Em grande parte dos estados do Nordeste, a safra 2021/22 começou em setembro. Considerando os períodos de chuva acima da média na região, Delloiagono aponta que a temporada deve apresentar bons resultados.

Nestes dois primeiros meses da safra, Delloiagono afirma que já é possível perceber uma quantidade de cana produzida superior ante a anterior e, também, na comparação com a média histórica. Além disso, a região não sofreu com as geadas vistas no Centro-Sul. “Isso indica clima favorável, o que deve garantir uma boa produção no decorrer da safra”, aponta.

Durante a safra 2020/21, o mix de produção do Nordeste foi dividido em 46,5% para açúcar e 53,5% para etanol. Já nos dois primeiros meses da temporada atual, a produção está 63,7% voltada para o bicombustível e 36,3% para o adoçante, informa Delloiagono, demonstrando que este pode ser um ciclo mais alcooleiro.

O período também se destaca pela preferência ao anidro. Do total de etanol produzido, 33,9% foram do produto a ser adicionado à gasolina e 29,8% de biocombustível hidratado.

Com variações de cerca de 40% nos preços tanto do adoçante quanto do biocombustível, Delloiagono cita que os valores de açúcar total recuperável (ATR) para o fechamento da safra devem ficar entre R$ 1,20/kg a R$ 1,47/kg, baseando-se em dados do Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool (Consecana) dos estados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba.

Entre os três principais estados produtores, as variações médias oscilam na casa de 30% em comparação com o ciclo anterior.

Sobre os custos de produção, Rosa explica que ainda haverá um impacto nesta safra. “Vamos ter uma pressão de aumento de gastos, principalmente com a maioria dos insumos dolarizados”, afirma. Entretanto, ele acredita que o efeito não será tão sentido na safra corrente, mas na próxima, considerando a questão de descarregamento de estoque.

Em relação aos custos com a colheita, Rosa explica que o principal efeito se dá na variação do diesel, que influencia no transporte e carregamento. Com isso, os valores pagos tendem a aumentar.

A safra 2020/21 no Nordeste

Dentro do contexto da temporada, o instituto observa que um dos maiores obstáculos de 2020/21 foi a pandemia do novo coronavírus. Mas, como explica Rosa, a região Nordeste sentiu impactos diferentes em comparação com o Centro-Sul. Como a safra começa mais tarde, o mês de setembro foi um momento de “acertar as medidas de restrição” e ajustar as estratégias para lidar com a desvalorização cambial mais acentuada.

Ainda de acordo com ele, a moagem começou em um momento de subida dos preços e, mesmo com algumas oscilações no caminho, a tendência foi de alta.

Em relação aos parâmetros agrícolas analisados pelo instituto, a produtividade do Nordeste chegou a 63 toneladas por hectare. Rosa observa que o número ficou um pouco abaixo em relação ao ciclo anterior, mas se mantém na média histórica da região.

Já a qualidade da matéria-prima alcançou 131,44 quilos de ATR por tonelada, totalizando 8,17 toneladas de ATR por hectare plantado. Parte desta baixa produtividade, segundo Rosa, pode ser justificada pela idade média dos canaviais nordestinos, que está estimada em 4,16 anos. Desta forma, as plantas são mais velhas do que as do Centro-Sul, ainda de acordo com as informações do Pecege.

Giully Regina – NovaCana

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