Cana: Plantio

IAC aponta caminhos para canaviais alcançarem “produtividade de três dígitos”

Alcançar – e ultrapassar – a marca de 100 toneladas de cana por hectare é um objetivo dos produtores de todo o país


novaCana.com - 27 out 2020 - 08:48

Para reduzir os custos e gerar mais lucro, as companhias sucroenergéticas têm se dedicado a diluir os gastos fixos, especialmente no campo, por meio do aumento de rendimento. Neste sentido, um dos indicadores mais desejados é a chamada “produtividade de três dígitos”, ou seja, um resultado acima de 100 toneladas de cana por hectare.

O tema foi abordado pelo pesquisador Marcos Landell, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), durante sua palestra na 20ª Conferência Internacional Datagro, realizada na manhã de ontem, 26.

De acordo com Landell, há três aspectos que devem ser considerados pelos produtores para a melhoria da produtividade: a gestão da população de colmos, a adoção do manejo de terceiro eixo e a adoção de variedades de cana eretas.

No primeiro caso, ele relata que a densidade da população de colmos no Centro-Sul está entre 40 mil e 60 mil por hectare, mas que é possível chegar a níveis em torno de 120 mil/ha. O principal caminho para isso é um plantio livre de falhas.

Os produtores, porém, devem seguir atentos ao canavial mesmo após a fase inicial, mantendo a população de colmos estabelecida no plantio. Para isso, a recomendação é a adoção de perfil varietal adequado, nutrição de solo e controle de pisoteio.

Em relação à adoção do manejo de terceiro eixo, Landell reforça que esta foi uma alternativa desenvolvida levando em conta o perfil dos canaviais brasileiros. De acordo com ele, enquanto outros países fazem manejo de acordo com a curva de maturação da cana, isto não seria necessário no Brasil.

“Nas condições do Brasil, a maturação é incentivada pelo déficit hídrico”, afirma e completa: “Nosso desafio é produzir cana”.

Segundo ele, o manejo de terceiro eixo tem gerado ganhos significativos nos canaviais do Centro-Sul. O nome da técnica é derivado de um terceiro fator a ser observado no momento de decidir sobre alocação de variedades e época de colheita: o ciclo da planta. Até 2007, a recomendação era observar apenas a época de colheita e o ambiente de produção.

Na sequência, a terceira recomendação do profissional foi a adoção de variedades eretas, que visam reduzir a quantidade de impurezas vegetais e minerais que chegam às usinas. Segundo ele, a cana sem contato direto com o chão é mais adequada para a colheita mecanizada e proporciona uma redução nos gastos com transporte e industriais.

Renata Bossle – novaCana.com


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