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Cana: Plantio

As 7 etapas do sistema de plantio de mudas pré-brotadas


novaCana.com - 27 nov 2013 - 12:24 - Última atualização em: 28 out 2014 - 09:13

O Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, desenvolveu sistema inédito que muda o conceito de plantar cana-de-açúcar. O sistema de mudas pré-brotadas (MPB) de cana é uma tecnologia de multiplicação que poderá contribuir para a produção rápida de mudas, associando elevado padrão de fitossanidade, vigor e uniformidade de plantio.

Mudas Pre Brotadas - As 7 etapas
A proposta oferece uma grande redução da quantidade de mudas que vai para o campo. No plantio convencional, um hectare de cana demanda de 18 a 20 toneladas de colmos, enquanto no sistema MPB o consumo cai para duas toneladas (que darão origem às mudas).  "Isso significa que 18 toneladas que seriam enterradas como mudas irão para a indústria produzir álcool e açúcar, gerando ganhos", explica Mauro Alexandre Xavier, pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Em outra comparação, as mudas já formadas permitem uma taxa de multiplicação até 15 vezes maior. Isso porque a partir de uma tonelada de cana, no sistema MPB, em um ano e meio pode-se chegar a uma área plantada entre 300 até 500 hectares. No plantio tradicional, a taxa de multiplicação ficaria em torno de 30 hectares para cada tonelada de toletes.

O MPB muda o conceito de multiplicação de mudas que é usado desde meados de 1.530, com a chegada da cana-de-açúcar ao Brasil. "No convencional, abre-se o sulco e põe colmo semente dentro. Agora propomos colocar a planta". A nova tecnologia desenvolvida pelo Programa Cana do IAC é direcionada a aumentar a eficiência e os ganhos econômicos na implantação de viveiros, replantio de áreas comerciais e possivelmente renovação e expansão de áreas de cana-de-açúcar. "Trata-se de um novo conceito no método de multiplicação da cana-de-açúcar, reduzindo volume e levando para o campo efetivamente uma planta", diz Xavier.

O sistema envolve a formação de viveiros para multiplicação rápida de novos materiais de cana. É um método simples que pode ser adotado por pequenos produtores e associações, não ficando restrito às usinas. De acordo com o pesquisador, o MPB restaura os benefícios da formação de mudas em viveiros, procedimento que foi praticamente esquecido com o boom do setor, apesar de gerar benefícios, como aspectos fitossanitários da planta.

Menos pragas e falhas

"As falhas ocorridas nas áreas de plantios decorrem da falta de uniformidade de diversos fatores do sistema atual, muitas vezes deve-se ao uso excessivo de mudas que brotam e acabam competindo por água luz e nutrientes", explica o pesquisador. Já o novo método aumenta a uniformidade nas linhas de plantio e, consequentemente, reduz as falhas.

O sistema também contribui para reduzir as ocorrências de pragas e doenças na implantação do canavial por usar mudas sadias. "Desde 2009, o Programa Cana IAC optou por não entregar mais colmos "semente" para multiplicação e instalação de sua rede experimental. Desde então vem desenvolvendo o sistema MPB", afirma Xavier. A tecnologia surgiu da necessidade de entregar um material não convencional de colmos, para tentar evitar a disseminação do Sphenophorus levis, uma importante praga da cana-de-açúcar.

Maquinário mais barato

Ainda dentre os benefícios do sistema, destaca-se o uso de maquinários. A plantadeira em uso no MPB é muito mais barata que as utilizadas no sistema convencional, há produtores usando máquinas que plantam eucalipto. É possível que esse novo sistema estimule a movimentação na indústria para desenvolvimento de máquina específica e compatível ao MPB.

Desafio: implantação comercial

O MPB permite alcançar aumento de eficiência e ganho econômico na implantação de viveiros, replantio de áreas comerciais e expansão e renovação de áreas plantadas de cana-de-açúcar. Entretanto, para a implantação do sistema em grande escala, é necessário o esforço e cooperação entre instituições de pesquisa de melhoramento genético, fitotecnia e mecanização. "Penso que deveria haver um esforço na formação de uma grande rede de experimentação que possa desenvolver um pacote fitotécnico que gere sustentabilidade para esse novo método de plantio de cana-de-açúcar", considera.

Carla Gomes – Assessora de Imprensa IAC
Adaptado por novaCana.com