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[Opinião] Agronegócio brasileiro busca sua independência na área de fertilizantes


Agroadvice - 09 fev 2022 - 13:41

Por Jacyr Costa Filho*

No ano do bicentenário da Independência, o agronegócio brasileiro pode dar um passo importante para se emancipar da dependência dos insumos agrícolas importados. No caso dos fertilizantes, por exemplo, para cultivar uma área superior a 72 milhões de hectares (8,5% do território nacional), o Brasil consome, anualmente, 40 milhões de toneladas desse produto.

O ponto de inflexão será o lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes, previsto para este mês. Com a iniciativa do Governo Federal, apoiada tecnicamente pela Embrapa, o Brasil terá uma política de estado consistente para incrementar a produção interna de um insumo crucial para a nossa agricultura.

A despeito de inúmeras vantagens competitivas do nosso agro, estamos diante de um paradoxo. O Brasil, potência na exportação mundial de alimentos, importa, atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados em suas lavouras. A pandemia mostrou como essa dependência pode ser prejudicial para o setor produtivo e para os consumidores, pois trouxe uma forte elevação dos custos de produção.

O Plano Nacional de Fertilizantes, segundo fontes do próprio governo, terá como meta central reduzir a importação do insumo dos atuais 85% para 60% até 2030. Isto exigirá uma importante coordenação nas ações de várias áreas do governo, seja na agricultura, na infraestrutura, questões tributárias e de incentivo a investimentos.

O Plano também prevê estímulos à pesquisa tecnológica para o desenvolvimento de fertilizantes biológicos dentro do contexto da economia de baixo carbono. Este ponto, aliás, associa-se aos ambiciosos objetivos do Programa Nacional de Bioinsumos, lançado em 2020.

No mundo, os produtos de origem renovável, que substituem insumos químicos, evoluem a uma taxa média anual de 13% a 17%. No Brasil, dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) indicam que a nossa indústria de bioinsumos tem crescido, em média, 18% ao ano.

Existem também, no âmbito do governo, vários outros projetos em andamento, como o uso de fertilizantes nitrogenados por fixação biológica em técnica desenvolvida pela Embrapa. Soja, cana-de-açúcar, milho, arroz e trigo são as culturas que mais consomem este insumo, em uma ordem de 1,9 milhão de toneladas ao ano. Estima-se que, em 2030, estas lavouras demandarão quantidade superior a 2,5 milhões de toneladas do produto.

Por todos estes motivos, o Plano Nacional de Fertilizantes, no ano emblemático de 2022, representa verdadeira declaração de independência para um relevante setor da economia brasileira.

* Jacyr Costa Filho é presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), da Fiesp, e sócio da consultoria Agroadvice


Textos opinativos não necessariamente traduzem a opinião do NovaCana. A publicação visa estimular o debate e proporcionar uma variedade de pontos de vista para os leitores.


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