Cana: Mercado

Produtor de cana deve ter direito aos CBios que gerou, diz Socicana


Agência Estado - 03 mai 2021 - 10:21

A divisão da receita advinda dos Créditos de Descarbonização (CBios) entre usina e produtor foi tema do último dia da Reunião Canaplan, na noite de sexta-feira, 30, que debateu a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).

O diretor tesoureiro da Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba (Socicana), José Antonio Rossato, afirmou: “Minha visão é que o que eu gerei de CBios na minha cana é um direito que eu tenho”. Ele também pediu que haja mais estudos técnicos sobre o assunto. “Vamos fazer um estudo, trazer árbitros, mostrar quanto cada produtor está contribuindo e entregar ao produtor o que é dele – nada mais e nada menos”.

A divisão da receita dos CBios não foi definida por lei e está a cargo do setor, que negocia como fazê-la.

O presidente do Siamig, Mário Campos Filho, disse que é preciso que indústria e fornecedores trabalhem em conjunto. “Existem propostas dos dois lados. Precisamos sentar e criar uma solução para não abrirmos possibilidade de Projeto de Lei em que outros players entrem com propostas que podem até mudar o RenovaBio”, afirma.

Jacyr Costa Filho, da Tereos, que moderou o debate, foi na mesma linha. “Há problemas dos dois lados. Muitos industriais não querem compartilhar nada. O importante é pegar lideranças que buscam entendimento, que vejam que temos mais a ganhar juntos do que em impasse”.

O executivo da Tereos disse ainda que poucas cadeias do agronegócio são tão unidas quanto a de cana-de-açúcar. “O milho, por exemplo, você compra de qualquer lugar; a cana não. Tive fornecedores que ficaram com a gente por 40 anos”, relata.

Tributação

O tributo do CBio deve ser baixo ou inexistente, de acordo com o presidente do Siamig. “Tributar CBio significa tributar a descarbonização", disse ele no último dia da Reunião Canaplan.

“Hoje o Imposto de Renda é de 15%, mais PIS/Cofins, então temos muito para evoluir e espero conseguir trabalhar junto com o governo para que tenhamos um certificado sem tributo ou com tributação pequena”, completa.

Costa Filho, por sua vez, disse que taxar o CBio é “sobretributar um mercado que não existe”. “O mercado de carbono é o mercado do futuro. Hoje atuamos com açúcar, etanol e energia elétrica. Em breve conseguiremos esse quarto mercado para a receita de produtores e usinas”.

Augusto Decker


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