Cana: Mercado

Preço pago pela cana-de-açúcar cai em junho, mas valor pode melhorar


Money Times - 04 jun 2020 - 07:49 - Última atualização em: 04 jun 2020 - 11:42

O valor pago pelo açúcar total recuperável (ATR) da cana-de-açúcar no Centro-Sul caiu na comparação entre o acumulado de maio e o valor de junho. A redução já era esperada, dada a queda nos preços dos produtos comercializados pelas usinas.

Entretanto, para julho, a possibilidade de melhora começa a ficar mais real para os fornecedores de matéria-prima. Eles acreditam na retomada dos preços e na influência da mudança do mix industrial das usinas, que passaram a priorizar a produção de açúcar em detrimento do etanol.

Atualmente, o valor estabelecido pelo Consecana – R$ 0,6960/kg (ante R$ 0,7005/kg abril) – é encarado mais como um parâmetro e cada vez menos negócios são determinados pelo chamado ‘ATR seco’. Ainda assim, o valor é uma referência quase compulsória para milhares de pequenos produtores.

Além da qualidade da cana, a precificação leva em conta os valores de todos os tipos de açúcares e etanóis. Com a queda nos valores internacionais de petróleo e as medidas de isolamento, os preços e o consumo foram abalados.

Mesmo o açúcar, que passou a remunerar melhor as usinas devido ao fator cambial, não avançou na bolsa de commodities de Nova York. A possibilidade de uma maior produção vinda do Brasil, anulava as safras menores que são esperadas na Índia e Tailândia.

“Se os preços do petróleo voltarem aos US$ 40/barril, mais o dólar acima de R$ 5,00, certamente podemos esperar a retomada dos preços da cana acima até das expectativas que tínhamos antes da pandemia, de R$ 0,70 ou até R$ 0,80 para o segundo semestre”, avalia o diretor da Canoeste, Gustavo Chavaglia.

Ele, que também é coordenador de energia renovável da Faesp, afirma ainda que o consumo de combustíveis está aumentando devido ao aumento da circulação da população.

O problema, lembra, é em relação às unidades que só trabalham com etanol. Nestes casos, o valor pago pelo ATR é outro. Em Goiás, por exemplo, o preço está em torno dos R$ 0,55/kg na maioria das unidades. Isso significa que a recuperação dos valores da matéria-prima pode ficar abaixo da precificação estabelecida pelo Consecana.

Se o produtor estiver perto da indústria e contar com uma produtividade mínima de 90 toneladas por hectare, as contas acabam ajudando, complementa o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana do Oeste Paulista (Afcop), Apolinário Pereira da Silva Jr. Mas ele não acredita em melhora substancial do preço do ATR.

Para os produtores maiores, com contratos fechados previamente a um preço fixo de ATR, Pereira da Silva admite que não sabe como será a relação com as usinas. No caso dele, por exemplo, a cana foi negociada entre R$ 0,95/kg e R$ 0,97/kg. A situação, ele reforça, é ainda mais complicada nos negócios fechados com destilarias.

Giovanni Lorenzon

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