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Pernambuco quer intervenção estatal na produção de cana


novaCana.com - 21 nov 2012 - 15:16
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A Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco  (AFCP) quer uma ação emergencial para reduzir os problemas oriundos da estiagem que já é considerada a maior dos últimos 40 anos. Em evento marcado para a tarde desta quarta-feira (21), a entidade apresentará à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) a reivindicação por medidas como investimentos em insumos e mão de obra. A associação representa aproximadamente 12 mil produtores de cana, que empregam cerca de 35 mil trabalhadores.

Segundo a AFCP, os agricultores locais perderam 50% do faturamento em função da seca prolongada, que já dura mais de sete meses, e devem amargar uma redução de 35% da safra atual. O setor também convive com a desvalorização de 15% no valor de mercado da matéria-prima do açúcar e etanol. "Diante do significativo déficit hídrico, configurando um ambiente de crise aguda e risco de descontinuidade no exercício da atividade canavieira, é indispensável a atuação do poder público", afirmou o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima.

Perda de participação
Pernambuco vem perdendo representatividade na produção nacional de cana-de-açúcar. No período entre 2001 e 2011, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira cresceu 113,2%, enquanto Pernambuco teve aumento de apenas 21%. A evolução do estado ficou abaixo inclusive da média da região Norte-Nordeste (28,96%), já bastante aquém do crescimento nacional. Na safra de 2011, Pernambuco produziu 19 milhões de toneladas de cana, respondendo por 2,63% da produção nacional; em 2001, o estado produzia 4,64% da cana-de-açúcar brasileira.

Os efeitos do baixo crescimento fizeram o estado cair de quinta para sétima força na produção nacional de cana. Pernambuco não acompanhou a expansão das lavouras brasileiras na última década: enquanto, em nível nacional, a área de cana colhida praticamente dobrou (93,66% de aumento), o estado permaneceu em estagnação, com ligeira oscilação positiva de 0,49% na área colhida.

Todo o ganho de produção de Pernambuco ao longo do período vem de um expressivo aumento do rendimento médio: em 2001, o estado colhia 47 toneladas de cana por hectare, já em 2011 colheu uma média de 56 toneladas por hectare (ganho de 20,41%). O estado ainda está, no entanto, muito abaixo da produtividade nacional, de 76 toneladas por hectare em 2011.

Além disso, os crescimentos constantes no rendimento médio se deram até 2007, quando Pernambuco já havia registrado 55 toneladas por hectare. Desde então, o estado demonstra dificuldades para continuar evoluindo, tendo ligeiras oscilações positivas e negativas na produtividade.

novaCana.com e Agência Brasil
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