Cana: Mercado

Na CNA, produtores de cana, soja e milho pedem a integralidade dos CBios

Produtores de cana querem receber por participarem com produção de baixo carbono


Money Times - 26 abr 2021 - 07:58

A queda de braço em torno do reparte dos Créditos de Descarbonização (CBios), opondo indústrias e produtores rurais, teve mais um capítulo no fim da tarde desta sexta, 23.

Em reunião convocada pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA), lideranças de canavieiros, sojicultores e de produtores de milho referendaram mais uma vez que querem a integralidade dos CBios. As usinas de etanol, que possuem maior presença no RenovaBio, falam entre 50% e 60%.

Na legislação do RenovaBio, não há obrigatoriedade para que os produtores recebam pelos créditos vendidos pelas indústrias. Os créditos são gerados a partir da quantidade de biocombustível comercializada.

Segundo a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), o canavieiro deve receber o CBio correspondente à entrega de sua cana, produzida dentro dos padrões de baixo carbono – portanto, carregando custos. Participaram da reunião o presidente da entidade, Alexandre Lima, e o diretor Luís Henrique Scabello.

“Diante deste cenário, a recomendação é para que produtores não aceitem pagamentos por parte das usinas em valores inferiores aos 100%, já que algumas unidades estão oferecendo pagamento do CBios da safra 2020 e pleiteando contratos para a safra de 2021”, ressaltou Scabello, também presidente da Associação dos Fornecedores de Cana (Canasol), da região de Araraquara (SP).

De janeiro até 9 de abril, as unidades produtoras de biocombustíveis disponibilizaram 12,1 milhões de CBios na B3. Deste total, 282,6 mil foram aposentados, restando mais de 11,8 milhões para serem negociados. A meta de aquisição de CBios para este ano é de 24,86 milhões de créditos, apontou a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que também esteve representada no encontro virtual.

A Aprosoja Brasil e Abramilho participaram do encontro, defendendo os mesmos pontos dos outros produtores de biomassas.

Giovanni Lorenzon