Cana: Meio ambiente

Vender hidrogênio para indústria é mais lucrativo que transformá-lo em energia, diz estudo

Além da venda, outra saída é exportar hidrogênio; segundo pesquisadoras da USP, Europa está de olho em potências em renováveis


EPBR - 13 jun 2022 - 09:36

Estudo de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) publicado no International Journal of Hydrogen Energy aponta que vender hidrogênio verde para setores como transporte ou indústria é mais lucrativo do que transformá-lo novamente em energia.

Outra saída é exportar o produto. “A Europa está de olho no Sul global, em países com grande potencial de fontes renováveis como Brasil e África do Sul. Nesse sentido, podemos ocupar uma posição de protagonismo mundial ao fechar parcerias para fornecer hidrogênio verde a outras nações”, aponta a coautora do estudo, Drielli Peyerl.

Com as emissões de CO₂ atingindo recordes nunca experimentados pela humanidade, hoje 50% acima dos níveis pré-industriais, é preciso correr para viabilizar novas fontes de energia – e o hidrogênio verde está entre as grandes apostas para reduzir a dependência de fósseis.

Alguns países como China, Alemanha e Chile já estão desenvolvendo suas estratégias. O Brasil ensaia os primeiros passos, enquanto acumula anúncios de memorandos de entendimentos para hubs de hidrogênio nos portos.

A nova pesquisa avalia a viabilidade econômica dos sistemas híbridos eólico e solar para produção e armazenamento de hidrogênio conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). E conclui que o custo só será competitivo com novos sistemas dedicados em tempo integral à produção e armazenamento de hidrogênio.

Além disso, o processo completo, que envolve a produção, armazenamento e, por fim, a transformação do hidrogênio verde de volta em energia não é o mais lucrativo do ponto de vista econômico, porque essa última etapa implica na adoção de sistemas a célula combustível, o que encarece o processo.

“O ideal é a usina operar acima de 3 mil horas com eletrolisadores ao custo de 650 dólares por kWe. Quanto maior o número de horas que a planta estiver dedicada à produção de hidrogênio, maior é a viabilidade econômica do projeto”, explica Peyerl.

Na elaboração do estudo, as pesquisadoras analisaram as duas maiores usinas em funcionamento no país para construir um modelo econômico: o complexo eólico Baixa do Feijão, no Rio Grande do Norte, e o complexo Sertão Solar Barreiras, na Bahia.

Algumas conclusões:

  • Um dos obstáculos para a construção de sistemas híbridos com produção e armazenamento essencialmente focada em hidrogênio verde no Brasil é o custo de eletrolisadores e dos sistemas de estocagem.
  • O ganho de escala previsto até 2030, com crescente interesse de empresas nacionais e internacionais na tecnologia, deve contribuir para a redução de preços.
  • Vender para setores como transporte ou indústria, a exemplo da siderúrgica e de fertilizantes, é mais lucrativo e deve favorecer a competitividade industrial.
  • A energia elétrica é o segundo ponto mais caro na composição do custo de produção e armazenamento de hidrogênio, atrás apenas do preço dos equipamentos. Com matrizes de energia eólica e solar consolidadas, o Brasil passa a ser visto como um local altamente promissor em nível mundial.

Nayara Machado


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