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Cana: Meio ambiente

Proibido, fogo em canaviais gera 89 multas na região de São José do Rio Preto (SP)

Autuações foram aplicadas em 2018, por incêndios criminosos


Diário da Região (SP) - 12 jul 2019 - 08:43

Dezessete anos depois da publicação da Lei da Queima de Cana-de-Açúcar para eliminação de fogo na pré-colheita no Estado, a região de Rio Preto ainda registra incêndios nos canaviais. Um exemplo é o incêndio que destruiu, nesta quarta-feira (10), cerca de 500 metros quadrados de plantação, em Neves Paulista.

No ano passado, a fiscalização puniu 89 responsáveis por fogo em canaviais. As autuações por incêndios clandestinos ou criminosos em plantação de cana foram realizadas pela Polícia Militar Ambiental e pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

A maioria delas, 85 multas, foram aplicadas pelos policiais responsáveis por fiscalizar crimes contra o meio ambiente. Pelos dados fornecidos pela corporação, o município com mais ocorrência foi José Bonifácio, com 12 registros. Neste ano, em toda a região, foram aplicadas nove multas. O número que deve aumentar a partir deste mês, com o avanço da estiagem.

Para diminuir os danos, o setor sucroenergético está ampliando investimentos em ferramentas e tecnologias para facilitar a identificação e o combate de focos de incêndio nas plantações de cana. Na região, a Tereos Açúcar e Energia Brasil, com sete unidades no Noroeste paulista, como a de Cruz Alta, em Olímpia, testa o uso do líquido gerador de espuma (LGE) para conter o fogo com mais rapidez.

O produto é uma espuma sintética que age como se fosse um detergente no combate a incêndios. O material diminui a concentração de oxigênio, um dos três elementos da reação química que produz o fogo. “O teste está sendo feito para combater as chamas no meio da cana. Já tive resposta de que funciona muito bem”, afirmou André Tebaldi, porta-voz da empresa.

O programa de prevenção e combate a incêndios da empresa também conta com investimentos em preparação de brigadas de incêndios, aplicativos, check list de ações, veículos traçados para maior agilidade em casos de emergência, além do monitoramento via satélite, por meio do Observed Remote Information from Orbital Navigation (Orion).

O sistema funciona com 13 satélites operados por agências espaciais, como a norte-americana Nasa. Em caso de focos, envia alertas automáticos à central de controle da empresa, em Olímpia, para providências imediatas.

Segundo a empresa, o tempo de uma hora e 30 minutos que as equipes gastavam para detectar as chamas foi reduzido para seis minutos. Medidas que, segundo o grupo, reduziram as queimadas pela metade na safra do ano passado. “Mesmo com 22% menos de chuva, tivemos uma queda de 50% das áreas queimadas e de 38% nas toneladas de cana incendiadas”, afirmou Tebaldi.

A campanha da empresa também visa a conscientizar a população para que não jogue bitucas de cigarro nas margens de rodovias, não queime lixo e não coloque fogo nos canaviais. “Aprimorar os programas de combate é importante, mas trabalhar na prevenção é essencial”, concluiu o diretor de Sustentabilidade, Edilberto Bannwart.

Qualquer registro de foco de incêndio deve ser comunicado ao Corpo de Bombeiros (192) ou à Polícia Militar (190).

Francela Pinheiro