BASF
Cana: Meio ambiente

Governo enfrenta dificuldades para diferenciar irrigação e fertirrigação da cana

ANA e Agrosatélite realizam segundo estudo sobre irrigação da cana no Brasil, mas precisam de dados dos produtores para gestão justa dos recursos hídricos. Falta de dados prejudica setor sucroenergético


novaCana.com - 22 jan 2019 - 09:56

A cana-de-açúcar possui o status de “cultura de maior área irrigada do país”. Ou seja, de toda a área irrigada no Brasil, 30% é de cana – ou 1,72 milhão de hectares. Mas este dado, publicado em um estudo de 2017 da Agência Nacional de Águas (ANA), não reflete a realidade do setor, não está incluído o Norte-Nordeste e pouco se sabe sobre a extensão de área em que a técnica é efetivamente utilizada.

O problema ocorre por conta de uma especificidade que só a cana possui: a divisão entre a irrigação – lâminas d’água mais robustas, tendo os mananciais como fonte – e a fertirrigação, com baixas lâminas contendo vinhaça (resíduo da produção de etanol) e água de reúso. Aliás, é justamente esta técnica de fertirrigação que faz a cana ter a posição de maior área irrigada, pois ela é muito utilizada pelos canavieiros.

Uma das responsabilidades institucionais da Agência Nacional de Águas (ANA) é produzir dados sobre demanda e oferta de água no país, bem como melhorar e atualizar os dados de estimativa de uso da água. Segundo Thiago Henriques Fontenelle, especialista em recursos hídricos da agência, surgiu a necessidade de caracterizar melhor a demanda e a área irrigada do setor sucroenergético, até por conta da sua expansão nos últimos anos.

A Agrosatélite foi a empresa contratada para essa função e está realizando um levantamento da área de cana irrigada no país. O objetivo do estudo atual é estender a pesquisa para a região Nordeste e obter dados separados de área irrigada e fertirrigada, inclusive por cidade. Afinal, além da escassez de informações, Fontenelle destaca que há um erro de origem nos dados que caracterizam a irrigação de cana no Brasil.

Os detalhes sobre essa situação e como o novo mapeamento deve afetar as visões do gerenciamento de água no Brasil estão apresentados na reportagem a seguir.

De acordo com o CEO da Agrosatélite, Bernardo Rudorff, o intuito é provocar o setor: “Hoje, o resultado é deste jeito. Se vocês não estão gostando muito, o que podemos fazer para mudar isso?”.

exclusivo assinantes

O texto completo desta página
está disponível apenas aos assinantes do site

veja como é fácil e rápido assinar