Cana: Meio ambiente

ABiogás neutraliza emissões de carbono de 2019 com compra de CBios

Embora não seja obrigada a comprar créditos, associação compensou emissões de gases do efeito estufa de suas atividades


Globo Rural - 05 ago 2020 - 07:58

A Associação Brasileira de Biogás (ABiogás) anunciou a compensação das emissões de gases do efeito estufa (GEE) referentes às atividades desenvolvidas pela entidade em 2019, com a primeira compra de créditos de descarbonização (CBio), na última sexta-feira (31).

Assim, a ABiogás é a primeira associação do setor de energia a efetuar a compra como parte não obrigada. Apenas as distribuidoras são obrigadas a adquirirem CBios, lançados pela Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), para atingirem as metas de descarbonização.

A transação da ABiogás foi feita com a intermediação da empresa de trade BlockC, que faz a curadoria dos créditos de carbono e certificados para a neutralização dos gases de efeito estufa sob a ótica das ODs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU).

No cálculo, foram considerados os deslocamentos dos funcionários da Abiogás, viagens (excluindo os eventos), consumo de energia elétrica, resíduos e efluentes e transporte de documentos e encomendas, que geraram um total de 18 toneladas de CO2. Portanto, a associação adquiriu o mesmo número de créditos, já que cada CBio corresponde a 1 tonelada de CO2.

Segundo o presidente da ABiogás, Alessandro Gardemann, além da compensação, o anúncio da transação representa um estímulo para que outras empresas e associações se unam ao programa.

“Com o nosso exemplo, queremos liderar um movimento de adesão ao programa, para que o RenovaBio alcance seus objetivos de financiar o uso de biocombustíveis sem a necessidade de subsídios governamentais, incentivando o uso de energias mais limpas. O RenovaBio é um bom negócio tanto para quem adquire os créditos como para quem os vende, o que pode se tornar um estímulo para a conversão de plantas de biogás em biometano”, declarou.

Instituída pela Lei 13.576/2017, a RenovaBio tem como principal instrumento estabelecer metas nacionais anuais de descarbonização para o setor de combustíveis, de forma a incentivar o aumento da produção e da participação de biocombustíveis na matriz energética de transporte do país.

“O biometano é o único combustível disponível com possibilidade de pegada negativa de carbono, por ser oriundo de resíduos, e, portanto, um grande aliado para atingir as metas nacionais de redução das emissões de gases do efeito estufa. O RenovaBio cria novos mercados para o setor e eleva a percepção de que o biogás está totalmente integrado com as cadeias do etanol e biodiesel”, reforçou Gardemann.

Ao mesmo tempo, a única empresa de biometano cadastrada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para emitir créditos, a Ecometano, está publicando os CBios na B3 e a aprovação irá ocorrer nos próximos dias.

De acordo com a gerente de Novos Negócios da Ecometano, Melina Uchida, a empresa sempre acreditou no RenovaBio. “É necessário reconhecer o serviço ambiental proporcionado pelos projetos de biogás, atribuindo valor econômico ao benefício ambiental inerente à atividade", observa.

Segundo ela, quando o biogás produzido naturalmente pela decomposição do lixo nos aterros sanitários ou nas estações de tratamento de esgoto é coletado e transformado em biometano ou em energia elétrica, evita-se a emissão de gases tóxicos e causadores de efeito estufa na atmosfera. "Isso contribui para a saúde humana e para a manutenção do clima”, ressalta Uchida.

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