Máquinas agrícolas

A tecnologia que aumentou a produtividade das usinas


novaCana.com - 19 mar 2013 - 06:55 - Última atualização em: 21 mar 2013 - 18:31

Um dos cultivos mais antigos do Brasil vem, há algum tempo, se transformando numa indústria moderna que possui recursos inimagináveis para os primeiros donos de engenho de cana-de-açúcar. Além de grandes máquinas agrícolas, já fazem parte do dia a dia de algumas usinas programas e sistemas para monitoramento da colheita e do transporte do produto. 

Desenvolvidos pela Enalta, empresa de automação agrícola localizada em São Carlos, estes softwares renderam à companhia um lugar na lista das 50 mais inovadoras do mundo de 2012, feita pela revista Fast Company e divulgada em fevereiro. "Fomos escolhidos por causa de uma arquitetura, não de um produto só", esclarece o diretor executivo da Enalta, Giandri Machado.

Segundo ele, são três os produtos que compõem esta arquitetura: um software ligado às colhedoras, outro ligado aos caminhões que transportam a cana e um sistema que coleta informações das colhedoras e dos caminhões de transporte numa central de gestão agrícola. É possível comprá-los separadamente ou todos juntos.

Na colhedora

"O produto que é acoplado à colhedora ajuda a planejar a colheita com base no comportamento da máquina", diz Machado. Além do programa, há um monitor tipo tablet e sensores, os quais recolhem e enviam, on-line, à central agrícola informações sobre o tipo de solo, a geografia do terreno, a velocidade da colhedora, a quantidade de cana colhida, o tempo que a máquina fica em funcionamento, o tempo das pausas, quantidade de combustível disponível, etc.

Os dados são vinculados ao operador, à colhedora e ao turno. "A partir disso, é identificado um comportamento e pode-se melhorar o treinamento do operador, reduzir os tempos de parada não-planejadas, adaptar fatores como velocidade ao tipo de solo ou ao declive", explica o diretor da empresa. Na versão mais recente do software, um comando de voz orienta os operadores durante a colheita, indicando as ações para evitar percalços e aumentar a produtividade.

No caminhão

Por meio do sistema estabelecido entre colhedora, central e caminhão, é possível determinar de que colhedora vem a carga de cada caminhão e qual a quantidade de cana transportada. Os motoristas também são orientados por um comando de voz, que leva em consideração o fato de o caminhão estar carregado ou não, ou se está chovendo ou não. Além dessas informações, os sensores coletam dados sobre o trajeto, RPM e velocidade.

"Se está chovendo e o caminhão está cheio, a velocidade precisa ser menor, em torno de 40Km/hora", exemplifica Machado. A medida evita acidentes, mas, segundo informação dada pelo também diretor da Enalta Cléber Manzoni ao portal G1, tem um custo: ao frear, os caminhões podem consumir mais combustível. "Mas o aumento de combustível tem uma relação instantânea com o processo. Decide-se gastar mais combustível em um momento do trajeto, para que haja economia no todo", justifica, no entanto, o diretor executivo.

Resultados

Inicialmente, o uso da arquitetura criada pela Enalta acarreta a eliminação das fichas de papel preenchidas à mão e a rápida elaboração de indicadores. "As informações viram indicadores de operação, de saúde e meio ambiente, de gestão. Com tudo isso em mãos, um gerente pode dar respostas rápidas aos seus superiores e ao seu mercado", afirma Machado.

Ao longo do tempo, os indicadores passam a ser usados para uma melhor divisão de talhões e para o planejamento para as safras seguintes. "Uma usina nos passou um depoimento de que conseguiu prever a compra de uma colhedora a menos para o próximo ano", conta o diretor.

Além disso, há o aumento de produtividade, que, segundo Machado, é considerado a partir de 3 ou 4%. "Algumas usinas já registraram 3% de acréscimo na produtividade, outras registraram 10%. Mas ambos os casos podem significar milhões de dólares", diz ele. Não há um padrão, cada caso é único, porque cada usina está numa fase de mecanização e profissionalização. Porém, os ganhos não ultrapassam 16%.

O custo exato de cada produto não foi divulgado, mas o diretor executivo da Enalta revelou que "a automatização de uma usina custa em torno de R$ 1 milhão". De acordo com ele, as usinas estão aumentando o número de computadores da frota e o número de clientes da Enalta, hoje 11 usinas de grande porte, deve, em 2013, subir para aproximadamente 17.

Vivian Faria – novaCana.com