Máquinas agrícolas

Crise da cana afeta vendas da Valtra, diz diretor


Globo Rural - 03 set 2014 - 08:07 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

A crise enfrentada pelo setor de açúcar e etanol está impactando negativamente no desempenho da fabricante de máquinas Valtra. Foi o que afirmou o diretor comercial da empresa, Paulo Beraldi, nesta terça-feira (2/9) durante a Expointer, em Esteio (RS).

Segundo ele, o segmento representa cerca de 25% do faturamento da empresa. Neste ano, apenas um cliente da indústria de açúcar e etanol fechou negócio com tratores. “O efeito da crise é violento”, diz Beraldi. Segundo ele, a Valtra detém 70% do fornecimento para o setor.

O desempenho negativo no segmento de cana-de-açúcar, informou o executivo, levou a uma perda de um ponto percentual de participação no mercado de máquinas no ano passado para este ano. “Quando a cana sofre, a Valtra sofre. Essa crise nos dói bastante.”

O diretor comercial acredita na recuperação dos preços internacionais do açúcar, por problemas de safra na Ásia. E espera que haja aumento no preço da gasolina no Brasil – elevando também o valor do etanol – independente de quem seja o eleito nas próximas eleições, com reflexo positivo para as usinas.

Mesmo assim, Paulo Beraldi ressaltou que, em um primeiro momento, esse efeito positivo recai sobre a moagem. O reflexo na renovação da frota é posterior e leva mais tempo. “O ano de 2015 também não vai ser fácil para nós que atendemos este segmento.”

Enquanto essa reversão de cenário não ocorre, no curto prazo, o resultado relacionado ao setor sucroenergético acaba sendo um fator a mais de queda nas vendas neste ano, além do que a companhia já absorve da retração do mercado de tratores e colheitadeiras no país.

A expectativa é de redução de 15% a 20% em relação ao ano passado. Assim como executivos de outras empresas de máquinas, Beraldi pondera que 2013 foi um ano “fora da curva”, que não serve como base de comparação. O desempenho deve ficar próximo de 2012, considerado também um ano positivo para o setor.

Ressaltando a cana e a laranja como exceções, Beraldi se disse otimista em relação ao agronegócio de uma forme geral, mencionando, por exemplo, o aumento dos preços da carne bovina. “A dificuldade é entender o que está bom e ruim neste Brasil e planejar.”

Expointer
Beraldi traçou uma expectativa positiva em relação ao desempenho da companhia durante a feira, que termina no próximo dia 7. Segundo ele, o volume de negócios deve crescer cerca de 5% em relação ao evento do ano passado, principalmente, pela demanda da agricultura de menor escala.

O diretor comercial da Valtra se disse otimista também em relação aos resultados da empresa na Região Sul. Com base em dados de consultorias, ele apresentou expectativas de crescimento da renda do agricultor nos próximos anos.

“A soja está em um momento de queda, mas a saca custando R$ 55 ainda é espetacular quando se compara com 4 ou 5 anos atrás”, destacou, comentando também que considera positivo o atual momento do arroz.

POR RAPHAEL SALOMÃO, DE ESTEIO (RS)

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