Açúcar: Mercado

Viés do açúcar em Nova York ainda é construtivo após reajuste da gasolina


Agência Estado - 01 out 2015 - 10:45

O reajuste da gasolina pela Petrobras, anunciado na noite de quarta-feira, fortaleceu ainda mais o viés de alta que permeia o mercado futuro de açúcar demerara. Ontem, os contratos chegaram a disparar mais de 4% na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), e a tendência para hoje é de novos ganhos, com os preços testando a resistência psicológica de 13 cents por libra-peso.

A estatal brasileira elevou em 6% o valor do combustível fóssil na refinaria. Cálculos do Credit Suisse mostram que esse aumento deve acarretar em reajuste de 3,5% nos postos. Para o etanol hidratado, concorrente direto do derivado de petróleo, o banco estima aumento de aproximadamente 5% para o produtor, de R$ 1,30 para R$ 1,36 por litro.

Com esse prognóstico em mãos, participantes passaram a considerar uma safra ainda mais alcooleira no Centro-Sul do Brasil. No acumulado da temporada até 16 de setembro, 58,5% da oferta de matéria-prima já foi direcionada para o biocombustível, e a expectativa é de que esse porcentual se aproxime ainda mais dos 60% a partir de agora.

Contribuiu também a apreciação do real ante o dólar, de até 3% durante a sessão. A divisa fechou o dia em R$ 3,9740 (-2,19%). Para João Paulo Botelho, da INTL FCStone, a moeda norte-americana perto dos R$ 4 responde pelo spread invertido que se observa a partir do vencimento março. "São as fixações do Brasil nas telas de maio e julho de 2016", explicou, referindo-se à estratégia das empresas de aproveitar o dólar fortalecido para travar exportações futuras. A diferença entre maio e julho está em 8 pontos de prêmio para o primeiro.

E ontem ocorreu a expiração de outubro. Os relatos são de que a Wilmar International adquiriu mesmo um volume expressivo de açúcar, como se especulou nas últimas semanas. A entrega está estimada em 1,19 milhão de toneladas, o que para alguns analistas indica fraqueza no físico - algo baixista para os contratos.

Além disso, continua no radar a perspectiva de exportação maior pela Índia. Para a consultoria Platts' Kingsman, "os embarques da Índia devem aumentar em março, já que o tempo desfavorável na América Central, Tailândia, Europa e em algumas partes da Índia deve levar a uma alta nos preços internacionais" do açúcar.

Outubro subiu 41 pontos (3,49%) e expirou em 12,17 cents/lb. Março avançou 42 pontos (3,37%) e terminou em 12,88 cents/lb, com máxima intraday de 13 cents/lb (mais 54 pontos) e mínima de 12,58 cents/lb (mais 12 pontos). O spread outubro/março variou de 70 para 71 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quarta-feira em R$ 54,42/saca, alta de 0,09% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,69/saca (+2,32%).


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