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Açúcar: Mercado

Com superávit, preços mundiais de açúcar tiveram pressão renovada em março, diz OIA


Agência Estado - 05 abr 2019 - 15:36

Os valores do mercado mundial de açúcar sofreram pressão renovada em março dos superávits globais fundamentais para a safra 2018/19, segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA). Em relatório mensal divulgado há pouco, a instituição salientou que houve perdas tanto nos preços da commodity bruta quanto nos do açúcar refinado no mês passado na comparação com fevereiro.

A entidade, que tem sede em Londres, identificou que os preços à vista do açúcar bruto (medidos pelo índice de preço diário ISA) começaram março em 12,92 centavos de dólar por libra-peso, caíram para 12,42 centavos de dólar por libra-peso antes de melhorarem para a mais alta cotação do mês, em 13,06 centavos de dólar por libra-peso, em 18 de março. Os preços caíram abaixo de 12,75 centavos de dólar por libra peso até o final do mês, resultando em uma média mensal de 12,71 centavos de dólar por libra peso, uma queda de 2,0%, ou de 12,96 centavos de dólar por libra peso na comparação com fevereiro.

A OIA constatou que, durante a maior parte de março, o Índice de Preços do Açúcar Branco (ISO) seguiu um caminho semelhante, mas a correção de queda no final do mês foi mais acentuada. A cotação do refinado começou o mês em US$ 348,05 por tonelada, mas caiu para US$ 329,95 por tonelada no dia 29 de março. A média mensal foi de US$ 341,27 por tonelada, uma queda de 2,5% em relação aos US$ 349,93 por tonelada do mês anterior.

Assim, a média mensal do Prêmio Nominal do Açúcar Branco (diferencial entre o Índice de Preços do Açúcar refinado ISO e o Preço Diário do ISA) caiu para US$ 61,04 por tonelada em março contra US$ 64,10 por tonelada registrado em fevereiro. A média permaneceu consideravelmente mais fraca do que a média de longo prazo (que leva em conta a cotação dos últimos três anos) de US$ 79 por tonelada.

"Como já discutido na edição anterior do relatório mensal, a OIA espera que os segmentos de açúcar branco e bruto estejam igualmente equilibrados em 2018/19 (outubro a setembro), o que provavelmente não garante mudanças significativas no prêmio no mercado de curto e médio prazos", considerou a instituição no documento.

No documento sobre os números de fevereiro, a OIA já havia identificado o descasamento entre os preços de bruto e refinado e projetado que as duas variações de commodity deveriam convergir para um mesmo referencial ao longo do caminho durante esta safra.

Desempenho quase recorde na Índia

O ponto mais importante para o mercado de açúcar em março foi o desempenho quase recorde da indústria na Índia. De acordo com a OIA, o maior produtor de açúcar do mundo pela segunda temporada consecutiva – que foi inesperada em alguns trimestres – conseguiu se desviar de alguns obstáculos previstos inicialmente em relação ao clima mais seco e de infestação de pragas e doenças na produção.

A OIA registrou que a produção do país foi de 27,400 milhões de toneladas até 15 de março. Existiam 373 usinas ainda em operação, 93 a menos do que duas semanas antes e também 26 menos de um ano atrás. "Como relatado pela Indian Sugar Mills Association (Isma), até a mesma data em 2018 as usinas tinham produzido 25,820 milhões de toneladas", comparou.

Célia Froufe