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Açúcar: Mercado

Segundo superávit seguido de açúcar deve levar estoques para máximas históricas

De acordo com a INTL FCStone, baixos preços da commodity devem ter impacto positivo sob a demanda nos países subdesenvolvidos


INTL FCStone - 08 mai 2018 - 11:55

Mesmo com a perspectiva de crescimento maior na demanda e estimativa de redução na produção global de açúcar em 0,7%, para 193,4 milhões de tonelada, a safra 2018/19 ainda deve registrar superávit, de acordo com expectativa da consultoria INTL FCStone, divulgada nesta terça-feira (8), durante evento realizado em Nova York.

“Como o incremento na demanda não foi suficiente para alcançar a oferta, os estoques finais do globo ainda devem crescer em 7,2 milhões de toneladas, atingindo 89,6 milhões de toneladas. Com isso, a relação estoques-uso do açúcar deve subir para 48,1% ao final da safra 2018/19, o maior nível de nossa série histórica”, avalia o analista de mercado, João Paulo Botelho.

Na visão do grupo, a demanda global da commodity deve ficar em 186,3 milhões de toneladas, 1,3% acima do registrado na safra anterior. Destaca-se que o menor patamar de preços esperado para a safra 2018/19 na comparação com as anteriores deve levar a estímulo pela demanda, atingindo principalmente os países subdesenvolvidos, onde a redução no custo de aquisição do adoçante terá mais impacto sobre o orçamento de indústrias e famílias.

“Nos países mais desenvolvidos e em alguns com nível médio de renda, estamos vendo movimentação no sentido contrário. Mudanças nos hábitos alimentares e a imposição de tributação sobre o consumo de produtos açucarados (principalmente bebidas) já têm reduzido a demanda per capita do adoçante”, explica a consultoria, em relatório.

No maior país consumidor do mundo – a Índia –, a expectativa da FCStone é de que a oferta de açúcar atinja máximas históricas, provavelmente mantendo a pressão sobre os de preços domésticos. Com isso, é provável que a população aumente a demanda do adoçante, em detrimento de alternativas mais baratas, como o gur.

Já em relação à produção, conforme o levantamento da consultoria, a Ásia lidera novamente o crescimento na oferta da commodity, com destaque para os possíveis avanços na Índia e China. Em relação ao primeiro, projeções mais recentes dos meteorologistas para monções indicam maior probabilidade de precipitação dentro do normal, o que beneficiaria as lavouras indianas e possibilitaria mais uma safra de produção acima de 30 milhões de toneladas.

Considerando este cenário, a INTL FCStone estima um novo e leve incremento na produção de açúcar, que alcançaria 32,8 milhões de toneladas (valor branco) em 2018/19, representando aumento de 2,9% com relação à projeção do grupo para a safra atual. “Este resultado seria puxado por nova recuperação na área plantada de Maharashtra e Karnataka, enquanto a produção de Uttar Pradesh está estimada em nível similar a 2017/18”, explica, em relatório.

Para o segundo maior consumidor de açúcar – a China –, a INTL FCStone espera aumento de 5% na produção, para 10,8 milhões de toneladas (valor branco), resultado de um avanço na área plantada, que está se recuperando depois de forte queda entre 2013 e 2015.

“Com o mercado local praticamente fechado para importação dos grandes players internacionais, o preço do açúcar na China não foi afetado pela queda nas cotações globais. Com isso, o preço da cana no gigante asiático tem aumentado, incentivando o aumento do plantio nas províncias canavieiras do sul do país”, avalia Botelho.

Na União Europeia, a consultoria estima que a área plantada deve permanecer estável, com produção em 18,4 milhões de toneladas (valor branco), 8,6% abaixo da safra passada.

Em relação às Américas, a produção brasileira continua pressionada, uma vez que as usinas brasileiras devem continuar se direcionando para o etanol em detrimento do açúcar. A FCStone acredita que a entrada em vigor da nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) deva contribuir para este cenário.