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Açúcar: Mercado

Preço do açúcar em NY ainda subestima possível quebra da produção no Brasil


Valor Econômico - 14 abr 2014 - 08:28 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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Um terço das usinas do Centro-Sul já começou a processar cana da nova safra, a 2014/15, mas o grau de incerteza quanto ao tamanho da moagem ainda é grande. O único consenso das consultorias e tradings que já divulgaram alguma projeção até o momento é de que a oferta de cana-de-açúcar será menor do que na temporada passada, que foi de 596 milhões de toneladas. Mas o efeito disso - e da demanda por etanol - na oferta de açúcar neste ciclo pode ainda não estar expresso nas cotações da commodity na bolsa de Nova York, segundo analistas. Alguns cálculos apontam que, para competir com etanol, o açúcar terá que superar os 18,30 centavos de dólar por libra-peso.

Em fevereiro, quando a estiagem mostrou sua persistência nos canaviais, os preços internacionais do açúcar até reagiram, batendo 18,36 centavos de dólar por libra-peso. Mas a ocorrências de chuvas nas últimas semanas foram suficientes para o mercado acreditar que o dano à safra do Centro-Sul não seria mais tão grande. Na sexta-feira, os papéis para julho caíram 22 pontos na bolsa americana, para 17,46 centavos.

Para o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, ainda há uma visão "distorcida" em relação ao tamanho das perdas no Centro-Sul, tanto para esta safra 2014/15 quanto para a 2015/16. "A cana que será colhida no segundo semestre ainda está na 'folha', ou seja, não saiu do chão", afirmou Nastari, que projeta moagem de 574,6 milhões de toneladas de cana, produção de açúcar de 33,2 milhões de toneladas e de etanol, de 23,6 bilhões de litros.

O ponto-chave dessa questão, na visão do sócio da consultoria FGAgro, Luis Gustavo Torrano Correa, é que o mercado ainda não precificou que deve haver uma destinação maior do caldo da cana (mix) para a produção de etanol. A consultoria estima oferta de 592 milhões de toneladas de cana e uma produção de açúcar de 32,8 milhões de toneladas, o que significará um mix de 43,8% para a commodity. Na última temporada, esse mix foi de 45,23%.

Ele afirma que a demanda por etanol em decorrência do aumento da frota flex vai crescer 14% em 2014/15, mas a oferta das usinas deve aumentar, no máximo, 6%. A condição deve puxar os preços do biocombustível para cima. Assim, o açúcar teria que ter um preço mais alto para estimular as usinas a destinar o caldo para sua produção.

A FGAgro calcula que o preço médio do etanol hidratado na safra 2014/15 deve ficar em R$ 1,20 por litro (posto Paulínia), que, ao câmbio de R$ 2,20, equivaleria a um açúcar a 18,30 centavos de dólar por libra-peso. "Se considerar ainda o ganho com energia elétrica, o açúcar terá que ir acima de 19,50 centavos para superar a rentabilidade do etanol", diz Correa.

A tendência alcooleira da safra é reforçada ainda pelo fato de o etanol ser para as usinas uma alternativa de gerar caixa mais rápido. O diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, explica que o aumento do consumo de combustíveis neste ano vai elevar a demanda por etanol anidro (que é misturado à gasolina). Além disso, segundo ele, não há perspectiva de o preço do açúcar "melhorar" antes de setembro ou outubro. "As usinas que precisam de caixa não vão esperar até lá para vender açúcar. Vão produzir mais etanol e vender", avalia Rodrigues.

O diretor da Archer Consulting, Arnaldo Correia, acredita que as cotações em Nova York refletem uma produção de açúcar no Centro-Sul de 33 milhões de toneladas, o equivalente a um mix de 45%.

A primeira estimativa oficial para a nova safra foi anunciada na última semana e vista com pouco entusiasmo pelo mercado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou que o Centro-Sul terá uma oferta de 612,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um aumento de 1,8% em relação ao que a autarquia previa para o ciclo 2013/14 (602 milhões de toneladas). A produção de açúcar foi estimada em 35,899 milhões de toneladas (4,3% de crescimento) e a de etanol, em 26,3 bilhões de litros (1,24% de aumento).

O número está na contramão dos já divulgados pelas tradings e consultorias do ramo. A trading Copersucar projetou moagem de 570 milhões de toneladas (queda de 4,36%) e produção de 32 milhões de toneladas de açúcar e 25,4 bilhões de litros de etanol. A Já a Sucden estimou fabricação de açúcar de 34,3 milhões de toneladas e moagem de cana de 586 milhões de toneladas. A consultoria Kingsman projetou produção de 34 milhões de toneladas da commodity e uma moagem de cana de 585 milhões. A FCStone estima que a moagem de cana ficará entre 575 milhões e 585 milhões de toneladas. Para o açúcar, a estimativa é de uma produção entre 32 milhões e 33,3 milhões de toneladas.

Fabiana Batista

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